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Política

Em depoimento, Delcídio nega acusações e fala em ‘palavra de conforto’

27 novembro 2015 - 08h06Por Diana Christie

Em depoimento prestado à Polícia Federal, o senador Delcídio do Amaral (PT) negou as acusações de que teria tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato e garantiu que a conversa gravada por Bernardo, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, trata-se, na verdade, de uma tentativa de alentar a família do investigado.

As informações são do advogado Maurício Silva Leite em entrevistas aos jornais Folha de São Paulo e O Globo. Delcídio prestou depoimento ontem (27) durante cerca de quatro horas, acompanhado por dois Procuradores da República, um delegado da Polícia Federal e dois advogados.

De acordo com a defesa, o senador está “chateado” com a prisão decretada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mas aguarda o desenrolar dos fatos de forma “serena”. No depoimento, Delcídio alegou que pretendia levar uma “palavra de conforto” para a família de Cerveró, por isso fez anotações e prometeu interceder pelo pai de Bernardo junto a ministros do STF.

Ele negou, porém, qualquer relacionamento não institucional com os magistrados citados durante a gravação e garantiu que assumiu o compromisso por uma “questão humanitária” já que Bernardo perguntou sobre a possibilidade de conseguir um habeas corpus junto a instituições superiores.

Outros esclarecimentos devem ser marcados em breve, já que assuntos como o possível recebimento de propina para a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e a oferta de uma mesada mensal de R$ 50 mil para a família do ex-diretor da Petrobras ainda não foram abordados.

Segundo Maurício Leite, somente após o fim dos depoimentos a defesa vai tentar a liberação do senador. Por enquanto, ele recebeu uma licença de 120 dias do Congresso Nacional e continuará recebendo salário. Apenas se ele ficar afastado por tempo superior a quatro meses que o suplente Pedro Chaves será convocado.

Apesar disso, a oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) já analisa a possibilidade de prestar denúncia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Analistas políticos avaliam que o senador se complicou, principalmente, por falar abertamente que pretendia manipular ministros do STF para conseguir a liberdade provisória do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. 


O senador foi preso na manhã de quarta-feira (25) durante nova fase da Operação Lava Jato. Ele estaria tentando obstruir as investigações através de tratativas com a família de Cerveró para ele não aceitar a delação premiada ou omitir irregularidades cometidas por ele e por André Esteves, controlador do Banco BTG Pactual.

O petista chegou a planejar uma rota de fuga para o ex-diretor da Petrobras, que tem nacionalidade espanhola, saindo do país pela fronteira seca com o Paraguai e seguindo viagem em um avião modelo Falcon 50. Em troca, a família do foragido receberia uma ‘mesada’ de R$ 50 mil ao mês. Leia mais aqui.