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domingo, 16 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Empresa da Lava Jato cobriu despesas de Vander, denuncia jornal

08 setembro 2015 - 10h45Por Vinícius Squinelo

Um inquérito da Lava Jato revelou um esquema de quitação de dívidas pessoais e de campanha do deputado Vander Loubet, nome forte do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul. Três pessoas e duas empresas disseram que débitos abertos por ele e por sua mulher, de ao menos R$ 144 mil, foram cobertos pela Arbor, que fazia a contabilidade do doleiro Alberto Youssef. A denúncia foi feita pelo jornal Folha de S. Paulo.


A Arbor era gerida pela contadora Meire Poza. À CPI da Petrobras, ela disse que emitiu cerca de R$ 7 milhões em notas frias para cobrir despesas ordenadas por Youssef. As dívidas de Loubet eram de duas naturezas: dinheiro emprestado à sua mulher e dívidas da campanha à Prefeitura de Campo Grande em 2012, quando foi derrotado.


Ainda conforme a reportagem, a mulher de Loubet tomou R$ 75 mil do produtor rural Julio Nunes e R$ 19 mil da empresária Rosangela Pereira. Tudo coberto pela Arbor. Em 2012, a produtora Accorde fez programas de TV para Loubet. No ano seguinte, recebeu repasse de R$ 50 mil da Arbor. A Accorde reconheceu que se tratava de pagamento de saldo da campanha.


Um outro pagamento da Arbor a um morador de Campo Grande está sob investigação: R$ 130 mil à firma Carolina Tur Conveniência. À PF, a empresa disse que antes fornecera valor correspondente, como empréstimo, a um cabo da Polícia Militar, Luís Félix da Silva, morto em 2014.
O dono da firma de conveniência, Flávio Pereira Moura, 24 anos, é filho do deputado estadual Cabo Almi (PT), também da PM. Na época do empréstimo, 2012, Almi era o vice na chapa de Loubet.


A PF deparou-­se com o enredo apurando a Arbor. O juiz Sergio Moro decidirá se envia o caso Loubet ao Supremo, foro que investiga deputado.


Outro lado
Em nota enviada à Folha de S. Paulo, Loubet disse que está prestando os esclarecimentos "aos órgãos federais", mas preferiu não responder perguntas da reportagem.


Cabo Almi disse que conhecia Luís Félix, mas negou relação do dinheiro com a campanha. Só seu filho poderia esclarecer o empréstimo, disse, mas ele não foi localizado.


Julio Nunes afirmou à PF que a mulher de Loubet tem uma empresa de patinação no gelo e precisava do empréstimo. Procurado pela Folha, ele não quis comentar.


Rosangela Pereira também afirmou à PF que emprestou à mulher do político, mas não sabia o destino do dinheiro. À reportagem, disse que tudo já havia sido dito à polícia.


A diretora da Accorde confirmou que a Arbor ajudou a quitar dívida de campanha. No telefone da Arbor, em São Paulo, ninguém atendeu.