A empresa Gomes & Azevedo LTDA, investigada por fraude em licitações no âmbito da Operação Spotless, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), é a responsável pelas obras de recuperação da quadra de esportes da Praça Coophasul, em Campo Grande.
O mesmo espaço virou alvo de polêmica após a instalação de faixas e placas agradecendo à prefeita Adriane Lopes (PP) e ao vereador Maicon Nogueira (PP) por uma reforma e pela implantação de um playground que, segundo moradores, ainda não saíram do papel.
Conforme apurado pela reportagem, a empresa venceu a licitação no valor de R$ 229.999,02 e tem prazo de 120 dias para concluir os trabalhos no local. Apesar disso, frequentadores da praça afirmam que até o momento nenhuma obra estrutural foi realizada.
As faixas foram instaladas na sexta-feira (16) e removidas no dia seguinte. Em uma delas, há agradecimento pela “reforma da praça”; em outra, pela “nova instalação do playground”. No entanto, quem utiliza o espaço diariamente relata que a realidade é bem diferente, já que a quadra está danificada, com aparelhos de ginástica quebrados e ausência de qualquer intervenção significativa.
“É o cúmulo do absurdo. Nunca vi agradecerem por algo que nem foi feito ainda”, desabafou uma moradora que vive no bairro há cerca de 40 anos e preferiu não se identificar. Segundo ela, a única mudança recente foi a instalação de iluminação de LED. “O resto continua do mesmo jeito. Os próprios moradores consertam os equipamentos para os idosos fazerem ginástica de manhã”, relatou.
Investigação
A Gomes & Azevedo LTDA é investigada pelo MPMS no âmbito da Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pela Procuradoria-Geral de Justiça. A operação teve como objetivo combater a corrupção e desarticular uma organização criminosa com atuação principalmente no município de Terenos, mas com ramificações em Campo Grande.
Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram um esquema estruturado de fraude em licitações públicas, com participação de agentes políticos, servidores e empresários. O grupo atuaria direcionando editais, simulando concorrência e garantindo contratos a empresas previamente escolhidas. Em troca, haveria pagamento de propina, emissão de falsos atestados de recebimento de produtos e serviços e aceleração irregular de pagamentos.
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. As apurações indicam que apenas no último ano os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 15 milhões. Parte das provas teve origem em materiais apreendidos durante a Operação Velatus, incluindo dados extraídos de celulares, compartilhados com autorização judicial.
Contrato milionário paralisado
Além do contrato da Praça Coophasul, a Prefeitura de Campo Grande já havia paralisado um contrato de quase R$ 20 milhões firmado com a Gomes & Azevedo LTDA para a execução de obras padronizadas de construção de praças no município. A ordem de paralisação foi formalizada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) em 30 de outubro de 2025, com efeito a partir de 1º de novembro, cerca de dois meses após a empresa se tornar alvo da Operação Spotless.
O contrato nº 221/2024, assinado em 28 de junho de 2024, previa obras sob demanda para municípios do Consórcio Público Central-MS, formado por Campo Grande, Sidrolândia, Terenos, Jaraguari e Dois Irmãos do Buriti. O valor total da contratação é de R$ 19.716.591,24, com recursos provenientes de convênios e emendas parlamentares.







