Engenheiro agrônomo de formação, o empresário José Carlos Franco de Souza é apontado pela Operação Lama Asfáltica como o ‘coletor de recursos’ da organização criminosa liderada pelo empreiteiro João Alberto Krampe Amorim.
Segundo a PF (Polícia Federal), ele teria recebido propinas de empresários e investido no mercado acionário com o dinheiro arrecadado pelo grupo.
Proprietário da empresa Agropecuária Rio Parado e da JF Fomento Comercial Ltda, ele possui como sócios a empresa Proteco Construções Ltda, Paulo Henrique de Freitas Oliveira e Luciano Potrich Dolzan, que é dono da LD Engenharia e genro do empreiteiro João Amorim, que também participa desta sociedade. Conforme a PF, José Carlos “é o homem do dinheiro do grupo [...], investe recursos no mercado financeiro, com diversificação de investimentos”.
Durante o período analisado nas investigações, o empresário manteve contato constante com João Amorim e Elza Cristina Araújo dos Santos, principal operadora do esquema, basicamente para marcar encontros realizados em um escritório na Galeria Quinta Avenida, apontado como quartel-general do grupo. Na maioria das reuniões, ele aparece pegando ou entregando alguma coisa, possivelmente dinheiro.
Oficialmente, José Carlos declara às instituições financeiras que trabalha no ramo de aluguel de maquinário para a construção civil, entretanto, segundo a PF, “as milionárias locações de máquinas e tratores pela Proteco nada mais são do que uma das formas de lavagem do dinheiro ilícito, proveniente dos desvios de recursos públicos das obras contratadas pela Administração. As máquinas pertencem a empresas ligadas ao Grupo, ou à ‘organização’, mas aparecem como sendo de terceiros, com valores absurdamente altos para as locações”.
Em alguns dos telefonemas interceptados durante a investigação, Elza também convida José Carlos para os famosos ‘cafézinhos’, termo recorrente entre os membros do esquema que significa propina. Em outras ligações, o empresário e Amorim conversam sobre câmbio de moedas, para pesos colombianos, que seria efetuado em Bogotá, capital da Colômbia.
Sempre em contato com empresários conhecidos como Acir Magalhães, sócio da JW Serviços e Construções Ltda, Paulo Roberto Alvares Ferreira, da Usimix Concreto Ltda, e Alberto Jintei Uezato, da E.B.R. Eletrificação Rural Ltda, José Carlos convida os empreiteiros para conversar. Ele sempre pergunta se a pessoa quer “falar” com ele, que significaria pagar ou receber dinheiro, como uma espécie de coleta de tributos ou pedágios da organização.
As investigações apontaram ainda investimentos consideráveis no mercado acionário, tanto que o empresário mantém relacionamento de cliente em diversos bancos especializados nessse tipo de movimentação financeira como o Gradual Investimentos, Bradesco Prime e Banco Original. Durante as interceptações, ele demonstrou bastante conhecimento sobre as cotações da Bolsa de Valores e movimentou quantias exorbitantes. Algumas aplicações tinham lance mínimo de R$ 200 mil.
Investigações
A Lama Asfáltica investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Os suspeitos teriam cometido os crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva e fraudes à licitação.
O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas identificadas durante as investigações. Durante o cumprimento de mandados e apreensão na casa dos envolvidos, a polícia apreendeu documentos, uma obra de arte e mais de R$ 747,9 mil, em moedas nacionais e estrangeiras.
Entre os contratos com indícios de fraude aparecem as licitações para a pavimentação da MS-430, que liga o município de São Gabriel do Oeste a Rio Negro, o aterro sanitário de Campo Grande, o Aquário do Pantanal e as Avenidas Lúdio Coelho Martins e Duque de Caxias.







