Os leitores do site Top Mídia News, responderam à nossa enquete, sem valor de amostragem científica, disponibilizada no período de 14 à 29 de julho na frontpage do site, que questionava: “Nos programas de governo dos candidatos de Mato Grosso do Sul, a principal questão a ser solucionada é:”
As opções oferecidas, 44% votaram que o “Combate à Corrupção” deve pautar os projetos dos atuais candidatos; 42% esperam que eles consigam resolver o “Caos na Saúde”; 9% desejam que a “Segurança Pública” seja um dos temas prioritários; e 5% que eles se atenham a sanar a “Deficiência na Educação”.
Isso deixa clara a importância que passam a assumir os órgãos de imprensa isentos, em denunciar ações desonestas de ocupantes de cargos públicos e, cobrar da justiça celeridade nas ações contra alguns candidatos que utilizam de todas as artimanhas jurídicas para adiar, ad eternum, que a justiça se pronuncie sobre os processos nos quais estão envolvidos.
A análise das propostas de governo, ou das promessas de palanque, nos faz crer que para quase metade da população, deverão vir acompanhadas de um currículo limpo, ou de explicações convincentes de ações passadas que possam ser, ou já foram contestadas.
Caos na Saúde
Ainda que muito bem votada, a opção que atingiu perto da metade da população, com 42%, demonstra claramente que a precariedade dos serviços de Saúde não significa falta de qualidade dos profissionais, mas o caos administrativo. Gastamos muito e gastamos mal. Basta acompanhar a novela de enredo duvidoso do caso Gisa - Gerenciamento de Informações em Saúde (programa de marcação de consultas por telefone), contratado pela administração de Nelsinho Trad em 2008, por R$ 10 milhões, não funciona e está cheio de irregularidades, conforme declarou o relator da CPI da Saúde da Assembleia, Junior Mochi (PMDB) “O Gisa não funciona em hipótese alguma”.
A epidemia de Dengue que assolou a população de Mato Grosso do Sul em 2011, em especial a sua Capital; superfaturamento no valor dos medicamentos adquiridos; escândalo da Máfia do Hospital do Câncer, cujos responsáveis ainda não foram punidos; as recentes mortes de pacientes que faziam o tratamento quimioterápico por empresa terceirizada pela Santa Casa etc., embasam o resultado da enquete.
O terceiro lugar obtido pela Segurança Pública (9%), não implica que o assunto possa ser menosprezado, no entanto as estatísticas oficiais mostram que homicídios, roubos e furtos têm índices mais elevados entre a população mais desassistida, nos grotões mais carentes. Uma população que tem pouco acesso aos sites de informação, ou pouco interesse por eles. Formadores de opinião e que responderam à enquete, necessariamente não concordam que a segurança pública esteja bem, mas sabem que os dois itens melhor votados são “prioridades”.
Estranhos valores
Chama a atenção a estranha inversão de valores que pontuou “Deficiência na Educação” com apenas 5% de preocupação dos leitores. Dentro da compreensão de estrutura social, os especialistas afirmam e a população consegue entender que, se o povo é educado a contento haverá certamente menos corrupção, o caos não se instalaria na Saúde e o número de crimes seria reduzido drasticamente.
Ainda nessa questão é importante salientar que a enquete apresenta uma pergunta pontual e que, portanto, pede soluções em curto prazo. Portanto, podemos deduzir que não existe menosprezo pelo tema, mas existe uma urgência desmedida em sanar o que pode ser sanado no menor tempo possível.
Assim, o “Combate à Corrupção” é uma questão que, se e quando resolvida, terá reflexos imediatos no crescimento das cidades, estados e do próprio país.
Esperança e movimentos
Essa nova postura pode ter partido das críticas crescentes à noção de impunidade que sempre habitou o Brasil, ao trabalho dos Ministérios Públicos e da Polícia Federal (ainda que ameaçada se ser algemada e encarcerada em algumas de suas funções), da imprensa livre, dos movimentos iniciados em junho de 2012. Pode ser.
Mas existe uma necessidade premente de uma autorreflexão de todos e cada um dos cidadãos. Ainda que a corrupção seja tema frequente nas conversas dos brasileiros, até onde e o quanto somos corruptos no nosso dia a dia é uma discussão que deve ser constante. Votar em candidatos que tenham forte compromisso com a ética pública e um passado que comprove essa linha de conduta é ainda a forma mais eficaz no combate à corrupção e, consequentemente, melhoria nos níveis de saúde pública, segurança e uma esperança de iniciar-se uma reforma educacional que eduque o cidadão.
Infelizmente o brasileiro tem por péssimo hábito criticar os políticos corruptos que elegeu. Algumas de suas ações cotidianas são a mais evidente corrupção, que não se percebe, mas que não podem ser consideradas menores. Furar filas, estacionar em vagas exclusivas, comprar ou vender produtos falsificados, contrabandeados ou objeto de furtos, não emitir ou exigir notas fiscais etc.







