Moradores de Campo Grande começaram 2026 assustados com o valor do Carnê do IPTU, que em muitos casos registrou aumentos de até 400% acima da inflação. Embora a Prefeitura afirme que o reajuste do imposto foi limitado a 5,32%, índice do IPCA-E, um levantamento independente mostra que outras mudanças feitas pela administração municipal elevaram significativamente o valor final cobrado dos contribuintes.
Um dos principais fatores foi a redução do desconto para quem paga o IPTU à vista. Até 2025, o desconto era de 20% e este ano caiu para 10%. Na prática, isso significa que o contribuinte passou a pagar mais mesmo que o valor do imposto tenha sido corrigido apenas pela inflação. Esse corte no desconto representa um aumento real de 12,5%, que somado ao índice inflacionário, gera um impacto de 17,82% para quem opta pelo pagamento em parcela única. A estimativa é de que essa mudança gere cerca de R$ 50 milhões a mais em arrecadação para o município.
Outro ponto que pesou no bolso foi a taxa de coleta de lixo, que também vem junto no carnê. A Prefeitura atualizou o chamado Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), um sistema que classifica os imóveis da cidade em categorias que vão das mais simples às de padrão mais elevado. Essa classificação influencia diretamente o valor da taxa de lixo.
Segundo os dados analisados, quase metade dos imóveis da cidade (44,7%) foi reclassificada para categorias superiores, o que automaticamente aumentou o valor da taxa. Em comparação, apenas 16,9% tiveram redução de categoria. Ou seja, para cada imóvel que “desceu” de classificação, quase três subiram, o que levanta dúvidas sobre o equilíbrio da atualização.
Além da reclassificação, houve também aumento no valor cobrado por metro quadrado da taxa de lixo, principalmente para imóveis de padrão médio e alto. Em algumas categorias, esse reajuste chegou a 24,5%, valor muito acima da inflação do período.
Casos concretos ajudam a dimensionar o impacto. Em alguns bairros da Capital, moradores relataram aumentos que variam de 40% a mais de 170%, e há registros extremos de até 396% de reajuste no valor total do carnê. A Prefeitura atribui esses casos à atualização cadastral dos imóveis, mas ainda não detalhou de forma clara quais critérios levaram a aumentos tão elevados.
Na prática, o levantamento conclui que o aumento do IPTU 2026 não veio de uma única medida, mas da combinação de quatro fatores: corte no desconto à vista, aumento da taxa de lixo, reclassificação dos imóveis e atualização cadastral. Mesmo que cada ação, isoladamente, possa ter respaldo legal, a forma como foram aplicadas gerou críticas pela falta de transparência e pelo impacto financeiro repentino sobre os contribuintes.
Diante da repercussão negativa, entidades da sociedade civil e vereadores já defendem a revisão das cobranças, o adiamento do vencimento e a retomada do desconto de 20% para pagamento à vista.
Na tarde de hoje, a prefeitura publicou uma nota com o prazo de pagamento a vista até o dia 12 de fevereiro. No entanto, não aceitou aumentar o desconto, mantendo os 10%.
“A medida demonstra sensibilidade com o momento vivido pelos contribuintes e reforça o compromisso da gestão municipal em buscar soluções equilibradas e responsáveis para facilitar a vida do cidadão”, diz o texto.







