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Política

06/08/2015 07:00

Ex-prefeito direcionava obras para beneficiar fazendas de autoridades em MS

Assessor especial da Coordenadoria de Suporte e Manutenção de Empreendimentos da Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos), o ex-prefeito de Paranaíba, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, mais conhecido como ‘Beto Mariano’ teria negociado fraudes em medições e influenciado obras públicas estaduais para beneficiar autoridades sul-mato-grossenses.

Segundo as investigações realizadas pela PF (Polícia Federal) na Operação Lama Asfáltica, Beto Mariano era considerado homem de confiança do ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto, e intermediava as negociações para fraudar as medições de obras públicas, atendendo empresários e orientando os fiscais da Agesul.

Em ligação telefônica interceptada em 18 de novembro de 2014, às 14h11, Beto repassa ordens para o chefe da 10ª Residência Regional da Agesul em Coxim, Ghitinon Malta, sobre alocação de mão-de-obra e material da instituição para obras que beneficiam fazendas no interior do Estado, revelando possível tráfico de influência.

As solicitações eram constantes, pois as obras valorizam o preço de mercado das fazendas. De acordo com a PF, em determinados momentos o ex-prefeito se recusava a conversar com autoridades do alto escalão por telefone, possivelmente para evitar a produção de provas de atividades ilícitas.

Em diálogo interceptado em 19 de novembro de 2014, às 11h28, por exemplo, a auditoria-geral do Estado Tatiana Silva da Cunha Pfifer é flagrada pedindo benefícios para uma de suas propriedades, mas não há relatos de possível troca de favores. “E naquela partezinha minha lá, você e o Giroto não vão fazer nada não, naquele negócio lá?”, questiona.

Suspeito de enriquecer ilicitamente, Mariano não tem bens ou contas bancárias em seu nome, colocando tudo em nome de parentes e amigos, realizando as movimentações financeiras através das contas bancárias da esposa, Maria Helena, e da filha, a médica Mariane Mariano de Oliveira.

Em ligação interceptada dia 13 de maio de 2014, às 07h59, um contador pergunta em qual conta corrente deveria depositar o pagamento de um cliente e Beto Mariano repassa as informações da filha. Em outras ocasiões, ele recebe ligações do Banco Sicred e confirma diversos pagamentos em cheque que estão no nome da filha, dando a entender que Mariane deixava um talão de cheques assinado nas mãos do pai.

“Além dos imóveis, Beto Mariano movimenta uma conta corrente que está em nome de sua filha Mariane. Em apenas um dia, o Sicred liga para Beto para confirmar a emissão de quase 100 mil reais de cheques em nome de Mariane. Beto adquiriu um terreno no condomínio Damha 3 [do grupo Encalso que também é investigado pela Operação] e movimentou dinheiro na conta de sua esposa Maria Helena, durante o período interceptado”, diz a PF.

Mariane possui duas fazendas: Vista Alegre, distante 19 km de Rio Negro, e Maravilha, em Rio Verde. Conforme a PF, a primeira propriedade foi negociada por R$ 1,73 milhão, o equivalente a R$ 1.629 por hectare, valor bem abaixo do mercado imobiliário local, em que o hectare não sai por menos que R$ 3 mil. A fazenda teria sido vendida pelo pecuarista Humberto Pó para Beto Mariano, Edson Giroto e para o coordenador da Agesul, João Afif Jorge.

No período analisado pelas autoridades policiais, Beto realiza diversas negociações de suas atividades rurais e compra terrenos em nome das filhas. Por diversas vezes, ele ainda compra animais para a sua fazenda e para Edson Giroto, destacando sempre a divisão de bens. Ainda conforme os autos, ele também seria sócio na empresa 3ª Rural Engenharia, especializada em assessoria para produtores rurais no âmbito administrativo ou judicial.

O ex-prefeito seria mais um integrante do grupo criminoso que teria fraudado licitações de obras públicas em todo o Estado. Conforme a Operação Lama Asfáltica, a quadrilha atuava em todas as esferas do poder, corrompendo agentes públicos e empresários para a manutenção do poder de um grupo específico que escolhia as melhores e mais caras obras executadas em Mato Grosso do Sul.

Os suspeitos teriam cometido os crimes de sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva e fraudes à licitação. Entre os contratos com indícios de fraude aparecem as licitações para a pavimentação da MS-430, que liga o município de São Gabriel do Oeste a Rio Negro, o aterro sanitário de Campo Grande, o Aquário do Pantanal e as Avenidas Lúdio Coelho Martins e Duque de Caxias.

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