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domingo, 13 de junho de 2021
Política

Fazendas e milhões: o Leão derrubou Waldir Neves

Terras e casas em Campo Grande, Bonito e no Maranhão; parentes nomeados: conselheiro nada no dinheiro

09 junho 2021 - 13h15Por Vinícius Squinelo

Vendas declaradas diversas vezes, investimentos sem fonte do dinheiro, negócios obscuros, possível negociação de pareceres e parentes nomeados em altos cargos – e altos salários. Esses foram os motivos que tornaram o conselheiro Waldir Barbosa Neves, do Tribunal de Contas do Estado, alvo da Polícia Federal e do Superior Tribunal de Justiça. E o responsável pela queda do todo poderoso foi o Leão, o Imposto de Renda.

A investigação teve início após suspeita de, nas palavras da Polícia Federal, ‘indícios relevantes no sentido de que integrantes da Corte de Contas possam ter beneficiado grupo criminoso que detém a concessão para a exploração do serviço de coleta de lixo e tratamento de resíduos no município de Campo Grande/MS'. O caso começou, em palavras diretas, para análise de supostas vendas de pareceres dentro do TCE.

Então, com autorização judicial, a PF fez um escrutínio detalhado do IR do conselheiro entre os anos de 2012 e 2020. O resultado foi uma série de informações desencontradas, que apontam para a lavagem de dinheiro. 

Por exemplo, em 2012, Waldir Neves vendeu uma casa na rua Antônio Raposo, em Campo Grande por 600 mil reais. O imóvel era avaliado, à época, em R$ 2,2 milhões. E, para completar, só foi identificado um único credito do comprador, Félix Jayme, de 11 mil reais, na conta do conselheiro. 

De dois imóveis, da rua Itiquira e rua Buriti, as vendas foram registradas por diversos anos. Segundo a PF, em análise, ‘assim como aconteceu com o imóvel da Rua Itiquira, o endereço Rua Buriri, 144, aparece em notas fiscais eletrônicas emitidas para o destinatário WALDIR NEVES desde o ano-calendário de 2015, anos antes de sua suposta aquisição, suscitando dúvidas quanto ao tempo e forma que ocorreu tal operação’. 

Caso obscuro é do investimento ‘Rio do Pantanal’. Primeiro, em 2016, Waldir Neves compra 450 mil em quotas da tal empresa, sendo que a PF não identifica sequer o que o investimento faz, muito menos como tal valor foi pago. Um ano depois, adquire 920 mil reais em quotas da empresa Rio do Pantanal, porém, não pagando em dinheiro, mas sim assumindo dívidas de terceiros. 

Dos credores, envolvido em denúncias de irregularidades no Detran, Celso Braz de Oliveira, parentes, como Nivaldo Cruz Barboza, e servidores que ele mesmo nomeou no TCE, como Yasmin Mayumi Yoshimoto Barbosa e Nercyadne Cunha Marques de Souza.

Além de fazendas em Bonito, de 70 hectares, outro de 455 hectares, a PF tem indícios de imóveis do conselheiro até no Maranhão.

As análises são detalhadas e delicadas. Caso queira conferir leia no documento obtido pela reportagem:

FANTASMAS

Conforme a PF, os conselheiros investigados usavam uma empresa terceirizada que presta serviços ao TCE/MS, a Dataeasy Consultoria e Informática, para colocar ‘funcionários fantasmas’. Lá, Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, primo de Waldir Neves, era o funcionário com maior salário, mesmo cuidando de negociações de imóveis do próprio conselheiro.
Waldir Neves foi alvo ontem de operação da Polícia Federal, que bateu em sua própria residência, assim como em seu gabinete dentro do TCE/MS. É a primeira vez na história da Corte que isso ocorre.