O filho e a nora do médico Adalberto Siufi - o principal alvo da Operação Sangue Frio da Polícia Federal - João Siufi Neto e Daniela Freitas dos Santos Siufi, voltaram a trabalhar na Prefeitura de Campo Grande no dia 18 de fevereiro. A informação foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (19).
João é servidor efetivo na Sesau (Secretaria de Saúde Municipal) como médico plantonista (UPA – Cel. Antonino) e a Daniela é servidora efetiva como médica com dois vínculos (UPA Cel Antonino e no SAMU).
Em 2013, João e sua esposa tiveram um pedido para se ausentar do serviço público por dois anos indeferido. Ambos iriam realizar curso de especialização com duração de 12 meses no estado do Arizona, nos Estados Unidos. De acordo com o processo judicial, o curso teve início em 18 de março de 2013, um dia antes da PF deflagrar a Operação Sangue Frio em Campo Grande.
Na época, a gestão de Recursos Humanos da Sesau indeferiu o pedido e alegou “não concordamos motivo epidemia de dengue e desfalque de pessoal”. Contudo, em 4 de março de 2013, o casal foi liberado para estudar no exterior, pelo juiz Nélio Stábile.
A prefeitura e o MPE (Ministério Público Estadual) recorreram, reafirmando a necessidade de médicos, fundamentada pela contratação temporária aberta pela Sesau e a epidemia de dengue que registrou o índice histórico de 46.654 casos de dengue e 12 mortes à época.
Apesar disso, o mandado de segurança foi julgado somente em janeiro de 2015, pelo juiz Jairo Roberto de Quadros, que negou a licença por dois anos, a beira de o biênio de afastamento se encerrar.
Assim, mesmo com decisão parcial da Justiça, afirmando que não havia nenhuma razoabilidade ou conveniência que o curso começasse em 18 de março de 2013 e a licença se estenda até março de 2015, visto que o tempo do curso era de 12 meses, o afastamento por dois anos foi praticamente realizado. Isso porque, após a decisão, a Sesau determinou a vota do casal ao trabalho no dia 18 de fevereiro, ou seja, a um mês de completar dois anos.
Operação Sangue Frio
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), deflagrou março de 2013 a Operação Sangue Frio com o objetivo de combater uma quadrilha que fraudava licitações e superfaturava serviços do Hospital Universitário em Campo Grande e no Hospital do Câncer.
Adalberto Abrão Siufi era o diretor-geral do Hospital do Câncer, e dono da Neorad, empresa que prestava serviço de radiologia e quimioterapia à unidade. Segundo a investigação, ele e o sócio, Issamir Saffar, também oncologista, atuavam no Hospital do Câncer desde a década de 1990 e recebiam cerca de R$ 3,1 milhões por ano com o negócio. Siufi chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas pagou fiança de R$ 30,5 mil e foi solto.
Dentre as irregularidades praticadas por ele e seus diretores, a PF apurou que vários familiares dele eram empregados nomeados do Hospital, com remuneração diferenciada dos servidores normais.
Em um dos casos citados a filha de Adalberto, Betina Siufi teria sido contratada em 2003 com salário de R$ 4 mil, mas em 2011, a administradora recebia R$ 11.508,69 quando o salário médio para um profissional de Administração girava em torno de R$ 2.917.
O diretor também empregava a irmã (Eva Glória Siufi do Amaral), o filho (João Siufi Neto), a nora (Daniela Freitas dos Santos Siufi), o sogro do filho (Ary Eduardo Pegolo dos Santos), a filha (Rafaela Moraes Siufi Silva) e o genro (Fabrício Colacino da Silva).







