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Fogo amigo: Mochi tem que ser investigado em fraude na folha de ponto, diz peemedebista

Para vereador eleito, presidente do PMDB é responsável por controlar funcionários da Casa de Leis

15 NOV 2016
Diana Christie
15h30min
Foto: Geovanni Gomes/Arquivo

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Junior Mochi (PMDB) deveria ser investigado no escândalo de suposto esquema para fraudar o controle de ponto dos servidores da Casa de Leis. É o que defende o peemedebista Loester Nunes, que foi eleito vereador de Campo Grande para a próxima legislatura, e não poupa críticas ao presidente regional da própria legenda. “A gente não pode ser partidário nas coisas erradas”, dispara.

Segundo ele, se houve algum tipo de irregularidade, a mesa diretora da Casa de Leis é corresponsável, pois ordena despesas. “O que é isso? O cara no telefone ensinando como vai encobrir erros. Quando ele fala ‘nós temos 20 ou 30 pessoas fora do planejado do que é definido por lei’, aí tem que ver se está envolvido o presidente da Assembleia porque só põe gente de fora recebendo com autorização da Assembleia. Como vai pagar? Como paga essa gente?”, afirma Loester.

Interceptação telefônica em aparelhos do Poder Legislativo mostra o deputado estadual Paulo Corrêa (PR) orientando outro parlamentar, Felipe Orro (PSDB), sobre como burlar o controle de frequência dos servidores comissionados lotados no gabinete. “O que temos mais do que os outros? Coloca um controle de ponto. Mesmo que seja fictício. Pega seu chefe de gabinete e manda agir. Todo o dia as pessoas têm que assinar o ponto até que passa esse rolo ai”, disse Paulo Corrêa.  

Apesar das críticas ácidas, o vereador eleito destaca que torce para as denúncias serem infundadas, apesar de não acreditar em armação. “Espero que não seja verdade, mas como vai mostrar que não é se o cara está falando faça uma folha de pagamento fajuta. Ele usou o termo fictício. O que é isso? Se for realmente correta e se as pessoas estão recebendo pela casa quem está pagando? Quem autorizou. Então não é essa beleza que está aí. Foi um álcool jogado no fogo”.

Loester ainda traça um paralelo com a Operação Coffee Break, do Ministério Público Estadual, que denunciou suposto esquema organizado por vereadores para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP). De acordo com ele, a investigação manchou a imagem da Câmara Municipal e reduziu o número de votos de vários vereadores antes mesmo de ter alguma condenação oficial, já que o processo continua em tramitação no TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

“Então eles [deputados] que tratem de diferenciar pelo que houve na Câmara. Quando assumi uns meses a vaga do Jamal [Salem], aquele povo ficava falando que eles tinham recebido R$ 1 milhão para cassar o prefeito. Eu cansei de falar para eles: ‘vocês tem que se defender, mostrar que não é verdade, que ele foi cassado por isso e aquilo porque, de tanto que falam, vai virar verdade e quem vai pagar o pato somos nós vereadores’. Se eu ainda estivesse como suplente, talvez pagaria o pato. Aqueles que assumiram a suplência nem foram reeleitos também”, argumenta o vereador.

O escândalo

O escândalo do ponto fictício tem como base áudio entre Corrêa e Orro. Durante a conversa, Paulo Corrêa se demonstra preocupado com uma série de reportagens sendo realizadas pelas Assembleias Legislativas de todo o Brasil sobre supostos funcionários fantasmas e orienta Felipe Orro a fazer uma folha com o controle de frequência de todos os servidores, incluindo os comissionados que ficam nas cidades onde os parlamentares possuem base eleitoral.

“Coloca um controle de ponto. Mesmo que seja fictício. Pega seu chefe de gabinete e manda agir. Todo o dia as pessoas têm que assinar o ponto até passar esse rolo aí. [...] Agora temos que tomar muito cuidado. Onde está o seu rabo? Está ai. Pega desde o dia 15 de fevereiro e manda todo mundo assinar. Vamos dizer que você tem vinte da cota normal e tem mais vinte. Faz os 40 assinar. Assina o ponto. Deixa sempre no dia anterior assinado. Quando pedirem ‘cadê o controle de ponto’, você apresenta e diz que estão na base, mas a frequência esta aqui”, orienta Paulo Corrêa.

Em sua defesa, Felipe Orro afirmou que todos que prestam serviços em seu gabinete, assinam folha e apresentam relatório de atividades, conforme acordado com o setor de recursos humanos e o Ministério Público. Já Paulo Corrêa diz que se equivocou durante o telefonema e não queria dizer ponto fictício, mas sim registro em papel. O caso está sendo investigado pelo  Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

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