Janeiro de 2015. Neste mês, Alcides Bernal, do PP, eleito prefeito de Campo Grande em 28 de outubro de 2012, completaria dois anos à frente do comando do Executivo municipal. O problema é que neste mesmo período em 2013, a cassação do prefeito, que obteve 270 mil votos, desbancou o peemedebista Edson Giroto, candidato do ex-governador André Puccinelli e do ex-prefeito Nelson Trad Filho já que o processo estava armado na Câmara Municipal.
Porém, a perda de mandato começou cedo. Antes mesmo de iniciar a sua administração, o ex-prefeito sofreu o primeiro golpe, onde os vereadores da Câmara Municipal reduziram, em dezembro de 2012, mudaram a suplementação orçamentária concedida em anos anteriores para o seu antecessor, o ex-prefeito Nelson Trad Filho, do PMDB, uma cota de 30%. O índice caiu para 5%, fazendo com que a administração ficasse engessada economicamente e seus reflexos foram sentidos em 2014, com a prefeitura em crise. A mesma cota foi mantida pelos parlamentares para o exercício de 2015.
Bernal assumiu a prefeitura e uma crise política foi iniciada. Na época, fontes apontavam o PMDB como foco principal para desestabilizar o governo. O plano começou a dar certo e meses depois, alguns nomes como do atual governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, e do senador Delcídio do Amaral, do PT, começaram a deixar o bloco de apoio. Isolado, Bernal começou a governar sozinho e passou a controlar todos os setores da administração - tudo passava pelas suas mãos. Alguns secretários e, principalmente, vereadores deixaram de ser recebido pelo ex-prefeito.
O ex-prefeito acusou alguns parlamentares da Câmara Municipal de receberem ordens de "forças ocultas" para desestabilizar o seu governo e gerar uma crise política e de criar uma "articulação ilícita e antiética" para tomar o seu cargo. A ideia de cassação começou a ganhar forças.
Com a máquina engessada, a prefeitura em crise, os vereadores criaram no dia 5 de setembro de 2013, a CPI da Inadimplência, para investigar supostos calotes cometido por Bernal. Partes dessas empresas tiveram os contratos aprovados ou renovados pela antiga administração peemedebista de Trad Filho.
CPI da Inadimplência - A Comissão Parlamentar de Inquérito ouviu depoimentos dos donos das empresas Total Serviços, MDR Distribuição de Alimentos e incluindo ainda o Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (Sisem), onde contrataram que os vínculos foram rompidos e no lugar foram feitos contratos emergenciais. A Mega-Serv, JaGás e a Salute foram contratadas no lugar.
Ao fim, um relatório foi elaborado e nele a Comissão apontou diversas irregularidades, a principal a 'fabricação de cenários emergenciais' e dar preferências a determinadas empresas.
Enquanto isso, Bernal promovia duros ataques aos parlamentares pela internet, por meio do Facebook e pelo programa de rádio que tinha em uma rádio da Capital que atendia todo o Estado. Os vereadores indignados, aprovaram uma moção de repúdio sendo a primeira da história contra um prefeito.
Com base nas denúncias contatadas no relatório da CPI, no dia 30 de setembro de 2013, dois empresários protocolaram um pedido de cassação contra o ex-prefeito. Dias depois o pedido foi aprovado em plenário com 21 votos contra 8, tendo o aval da procuradoria jurídica da Casa de Leis.
Comissão Processante - Criada a Comissão, o grupo de vereadores analisaram todo o processo e pediram a defesa prévio do prefeito, convocando 10 testemunhas de defesa e empresários envolvidos. O depoimento de Bernal chegou a ser marcado por duas vezes, mas o prefeito não compareceu alegando consultas médicas.
Dias depois foi entregue o relatório final da Comissão para a Mesa Diretora que marcou para o dia 26 de dezembro de 2013, o julgamento de cassação do prefeito. Porém, no dia a Câmara foi invadida por sindicalistas e servidores. Paralelamente, um briga de liminares deu uma vitória para o prefeito o julgamento foi adiado para o ano seguinte.
Entre novembro e dezembro, Alcides Bernal vinha denunciando a imprensa que o seu vice, atual prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, do PP, articulava com os vereadores oposicionista, desbancar o prefeito e assumir a vaga. Alguns vereadores já teriam na época, alguns assentos garantidos em algumas secretarias.
Cassação - Após reuniões extras em casas de parlamentares, no dia 13 de março de 2014, por volta das 23h14, os vereadores iniciavam a votação nominal, dos 29 parlamentares, 23 votaram a favor da cassação contra seis. Bernal foi cassado por irregularidades em contratos emergenciais. Perdeu o mandato e a partir daí Gilmar Olarte Olarte assumiu a administração, já com os secretários carimbados.
Bernal deixou a prefeitura afirmando que sofreu um 'golpe político e criminoso' e que os vereadores ofereceram 'vantagens ilícitas' para conseguirem aprovar a cassação.
Retorno - Dois meses após a cassação, no dia 15 de maio, o juiz David de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, suspendeu o decreto de cassação do cargo e concedeu liminar favorável para a volta a prefeitura.
Porém, em nova manobra, após permanecer oito horas como chefe do Executivo, o desembargador plantonista, Vladimir Abreu da Silva, acatou o pedido da assessoria jurídica da Câmara e cassou a liminar devolvendo a prefeitura para Olarte. O caso segue tramitando na esfera judicial. O Ministério Público Estadual, por meio do Gaeco, apurou as informações de participação de parlamentares acusados de receberem dinheiro em troca da aprovação de Bernal do cargo. O caso foi para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e corre em segredo de Justiça.
Instável - Enquanto não sai uma definição final, o atual prefeito Gilmar Olarte, já fala em reeleição e acusa o atual presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, de não cumprir a palavra e não transferir o comando regional do partido que até o momento permanece com Bernal.
Olarte apesar de dizer que recebeu várias propostas de partidos, teve a sua proposta rejeitada pelo principal partido que o ajudou PMDB e estuda uma aproximação com o PSDB que se mantém silencioso sobre o assunto. Gilmar ainda enfrenta uma crise na prefeitura e mesmo tendo maioria dentro da Câmara, os vereadores da sua base se mostram descontente com a sua administração e ameaçam se dissipar e permanecerem independentes o que pode prejudicar ainda mais a sua gestão.







