A possível candidatura da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), por São Paulo nas eleições de 2026 pode representar um custo político significativo em Mato Grosso do Sul, estado onde ela construiu toda a sua trajetória e pelo qual foi eleita senadora.
Nos bastidores, a avaliação é de que uma candidatura por São Paulo municiaria diretamente grupos políticos que hoje fazem oposição a Tebet em MS, como a base da senadora Tereza Cristina (PP) e o deputado federal Marcos Pollon (PL). A narrativa de que a ministra teria priorizado o maior colégio eleitoral do país em detrimento de sua origem política pode ganhar força, sobretudo em um ambiente já marcado por polarização.
Ciente desse risco, aliados apontam que o uso do peso institucional do Ministério do Planejamento para destravar obras estratégicas em Mato Grosso do Sul nas próximas semanas será determinante para a manutenção do capital político da ministra no Estado, como projetos da Rota Bioceânica, além de investimentos em habitação e infraestrutura.
Enquanto isso, Simone Tebet tem adotado uma postura calculada nas redes sociais, com discurso de “estadista”, focado em temas econômicos e na defesa de políticas estruturantes do governo Lula (PT), evitando o embate direto e o tom mais agressivo da política polarizada. A estratégia, no entanto, não tem impedido ataques. A base bolsonarista sul-mato-grossense segue hostil, com comentários negativos que relembram o posicionamento da ministra nas eleições de 2022, quando ela rompeu com o ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiou Lula no segundo turno.
A indefinição deve começar a ser resolvida ainda neste mês. Simone Tebet aguarda uma conversa com o presidente Lula, prevista para o final de janeiro, na qual deve discutir tanto uma eventual candidatura em 2026 quanto sua permanência no governo. O calendário eleitoral impõe a saída de ministros que pretendem disputar eleições até abril do próximo ano.
Nos bastidores de Brasília, o nome de Tebet passou a ser ventilado como opção para integrar o palanque de Lula em São Paulo, seja em uma disputa ao governo estadual ou ao Senado. A ministra, no entanto, não possui domicílio eleitoral no estado e teria de transferir o título, já que sua carreira política sempre esteve vinculada a Mato Grosso do Sul.
Segundo informações publicadas pelo site Metrópoles, Tebet se reuniu recentemente com a deputada federal Tabata Amaral (PSD-SP), que teria demonstrado interesse em levá-la para o PSD. O movimento reforçou as especulações sobre uma possível troca de partido, hipótese considerada necessária para viabilizar uma candidatura paulista, já que o MDB tende a apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Aliados afirmam que tanto Mato Grosso do Sul quanto São Paulo seguem no radar da ministra. Ainda conforme o site, uma consultoria contratada por apoiadores teria testado o nome de Simone Tebet em uma eventual disputa pelo governo de São Paulo em 2026, com os resultados circulando entre ministros do governo Lula.
Até que uma decisão seja anunciada, Simone Tebet segue em uma corda bamba política. Se, por um lado, São Paulo oferece maior visibilidade nacional, por outro, a saída de cena em Mato Grosso do Sul pode custar caro a uma política que sempre construiu sua imagem a partir das raízes no Estado.







