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Política

19/08/2015 07:00

Indicação de Arroyo para o TCE-MS abalou relacionamento de Puccinelli e Giroto

Os últimos dias de gestão do ex-governador André Puccinelli (PMDB) foram marcados por momentos de tensão entre os membros da suposta organização criminosa que fraudava licitações em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Polícia Federal, além da corrida contra o tempo para finalizar obras, prorrogar aditivos de contratos superfaturados e fechar as contas do governo corretamente, o peemedebista teria se arriscado em uma estratégia perigosa para manter os aliados unidos e contemplar os escudeiros mais fiéis.

Se por um lado a indicação do ex-deputado estadual Antônio Carlos Arroyo (PR) para uma vaga no TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) teria sido ‘encenada’, de maneira a garantir a cadeira para o então secretário de obras, Edson Giroto, os ânimos ficaram agitados na Governadoria e poucos confiavam no sucesso da manobra.

Em interceptação telefônica realizada às 18h24, de 23 de dezembro de 2014, o advogado e então consultor jurídico do Governo, Carlos Roberto de Marchi, mais conhecida como Neno, relata para o ex-secretário-adjunto de fazenda, André Luiz Cance, detalhes da conversa que teve com Puccinelli.

Além de destacar uma manifestação do MPE (Ministério Público Estadual) que ainda seria publicada contra a nomeação, ele aponta que a indicação de Arroyo iria contrariar os interesses dos conselheiros Ronaldo Chadid e Waldir Neves, que hoje é presidente da Corte de Contas. Veja a seguir:

Neno: André Puccinelli mandou nomear Arroyo, vai sair publicado amanhã. Fiquei meia hora, tentando demovê-lo de fazer isso, de pelo menos de não fazer hoje. Cheguei dizer pra ele, André, segunda-feira você vai receber uma manifestação do Ministério Público Estadual recomendando que não nomeie esse cara, dê tempo, pelo menos até lá. Não vá no impulso, você vai ter todas as condições pra sair disso. O Giroto fica bem contigo, o Tribunal fica bem contigo. Você tá fazendo isso, tudo por causa desse filho da p* desse Arroyo. Não teve jeito. O Marun [deputado federal Carlos Marun] entrou na sala, assistiu minha conversa com ele, não abriu a boca, nem que sim, nem que não.


Cance: Eu vou entrar lá, eu falo com ele.


Neno: É isso ai bicho, não adianta. Eu vou fazer o quê? Ele vai se f*. Waldirzinho me ligou, Chadid me ligou, eles tão tudo p*, chateado. Ele acha que vai consertar isso depois. Ele não consertar, ele não tem mais o poder na mão. Entendeu? Esse que é o problema, ele não tá vendo. Além do que, vai restar inócuo isso, né. Se os caras conseguirem segurar essa p*, eles não vão dar posse pro Arroyo. Aí tudo isso não valeu nada. Só vai valer, sabe pra quê? Pra demonstrar que ele é teimoso, que ele não escuta ninguém, que ele arruma um monte de inimigo. [sic]


Seguindo o planejado, Arroyo chegou a ser indicado para uma vaga na Corte Fiscal, através do Decreto "P" nº 5.451, de 23 de dezembro de 2014, mas teve o pedido questionado na Justiça. O TCE considerou a aposentadoria do conselheiro José Ricardo Cabral nula, por ter sido enviada para aprovação do Executivo estadual sem a assinatura do conselheiro-corregedor Ronaldo Chadid, que estava viajando na ocasião do imbróglio.

Apesar do reboliço, a estratégia do ex-governador era despistar Arroyo para articular a nomeação de Giroto, uma jogada perigosa que não obteve sucesso. A ‘dança das cadeiras’ preocupava João Amorim, que interferiu na condução do processo que, segundo a PF, poderia levar a uma eventual ‘Lava Jato Pantaneira’, pois Arroyo ameaçou revelar detalhes do esquema de corrução em vigor na administração passada.

Na ocasião, Amorim recorreu ao empresário Walter Gargione Adames, dono da Adames Rações e Suplementos Ltda., mais conhecido como ‘Waltinho’ para interceder pelo grupo junto ao ex-deputado. Leia mais aqui

As negociações provavelmente resultaram em um acordo, pois Jeronymo tomou posse no dia 1º de janeiro de 2015 sem nenhum contratempo e o assunto não foi retomado nas ligações gravadas até 9 de janeiro de 2015. Conforme a PF, “parece que os ânimos exaltados foram serenados por alguma espécie de bálsamo, que mostrou que, na verdade, vale a pena engolir sapos e prometer aquilo que jamais será cumprido, perdendo qualquer tipo de credibilidade, pela perpetuação de um esquema que, no final das contas, acaba agradando a todos”.

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