Na preparação para as eleições municipais, o PT (Partido dos Trabalhadores) deve reavaliar o papel das correntes que compõem a legenda, filiar novas lideranças, buscar a militância jovem e renovar seu discurso para superar o desgaste de sua imagem que foi agravado pela crise econômica do país.
A avaliação é do senador Delcídio do Amaral (PT) que concedeu entrevista coletiva na manhã de hoje (9). “Temos que rever essa questão das correntes. Tem Movimento PT, Construindo um Novo Brasil, várias. Deveríamos compor a executiva em função das correntes ou dos melhores quadros do partido?”, critica.
De acordo com o senador, o partido precisa retomar as estratégias usadas na época em que o ex-presidente Lula (PT) era candidato, dialogando com todos os setores da sociedade, e também adaptar o discurso para a sociedade atual.
“Eu acho que tem que renovar os quadros, trazer mais gente para o partido com outras experiências, outros conhecimentos. Nós já fizemos isso durante a campanha do ex-presidente Lula. Tem que dar espaço para essa moçada e se for o caso deixar esse espaço para outros assumirem”, afirma.
Delcídio destaca ainda que o antipetismo cresceu vertiginosamente durante os últimos anos, pois a legenda virou vitrine do descontentamento por estar no comando da máquina pública e, por isso, a legenda precisa adotar novas estratégias.
“Não podemos mais fazer o mesmo discurso do PT de raiz, tem que manter a questão social, mas tem que entender que a sociedade mudou. Boa parte dessa mudança que permitiu as pessoas subirem de classe social é resultado dos programas sociais criados pelo governo, mas nós temos que nos adaptar a esse novo brasileiro”, explica.
Sobre as manifestações organizadas para ocorrer neste domingo (15), o petista avalia que ainda não é possível mensurar o impacto desse protesto e critica o discurso de parcela da sociedade que defende o impeachment da presidente.
“As manifestações são democráticas e demonstram as insatisfações da população, agora eu vejo o impeachment como um despropósito. Quais são os motivos para isso? É uma estupidez. As pessoas conhecem a crise que ocorre no país quando tiram um presidente? Empresários deixam de investir, pessoas vão embora”.
Capital - Em Campo Grande, Delcídio aposta em um candidato que passe a ideia de renovação e tenha o poder de articulação para unir a militância do partido. Entre os pré-candidatos, ele revela que Ricardo Ayache está incluso nos “bons quadros” da sigla, mas que a decisão cabe ao diretório.
Futuro político – Sobre seus projetos políticos, o senador manteve o mistério e pediu paciência que o “andor é de barro”. Se comprometeu a se dedicar ao mandato no Congresso Nacional e não descartou a possibilidade de aposentadoria, quando aproveitaria para viajar pelo mundo com a família.
“Temos quatro anos pela frente, tenho que cumprir o meu mandato. Honrar os meus votos e não apenas aqueles que eu recebi na última campanha, mas os 828 mil votos que recebi quando fui eleito senador. Vou trabalhar para ajudar o meu país, trabalhar com o PT e os partidos aliados. Eu costumo dizer que eu não sou político profissional, eu estou político”, conclui.







