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Política

há 1 mês

Labirinto de aditivos e falhas travam anel viário de Ponta Porã

Sob a gestão de Eduardo Campos, projeto vital para a fronteira acumula dez aditivos contratuais, intervenções do Tribunal de Contas por má qualidade e prorrogações que empurram entrega

O sonho de retirar o tráfego pesado do centro de Ponta Porã (MS) transformou-se em um pesadelo logístico e administrativo. O Anel Rodoviário, principal bandeira de infraestrutura da gestão do prefeito reeleito Eduardo Campos (PSDB), expõe o modelo de gestão marcado por falhas de fiscalização, projetos básicos deficientes e uma "indústria de aditivos" que desafia a eficiência do gasto público.

Embora vendida como a solução definitiva para a mobilidade na fronteira, a execução da obra aponta descompasso entre a propaganda oficial e a realidade da gestão do canteiro de obras.

O exemplo mais gritante da fragilidade administrativa ocorreu no Contorno Viário Norte. A obra, que deveria ser um modelo de engenharia, foi entregue com vícios ocultos graves que a fiscalização da Prefeitura não detectou ou ignorou. Coube ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS), e não aos engenheiros do município, descobrir que o asfalto estava assentado sobre barro úmido, conhecido como “solo saturado", condenando a durabilidade da via.

A gestão municipal tentou contornar o desperdício acionando a garantia contratual da empresa Pactual Construção, que subcontratou a Maracaju Engenharia para refazer cerca de 1,2 km de pista. Segundo os registros, o asfalto já se deteriorou novamente.

Embora a Prefeitura alegue que o reparo foi feito "sem ônus" aos cofres públicos, o fato é que a gestão não apurou que a obra estava sendo feita em solo saturado. A dependência de órgãos de controle externo para garantir o básico da qualidade técnica expõe uma gestão reativa, que só age após o erro ser consumado.

Prefeito Eduardo Campos

(Obra do anel viário / foto: TCE/MS)

De Norte a Sul
Se no Norte o problema foi a qualidade, no Contorno Sul o gargalo é o planejamento. A obra arrasta-se em meio a um emaranhado burocrático. O contrato com a empresa Maracaju Engenharia, responsável por lotes cruciais do empreendimento, já acumula dez termos aditivos.

Na administração pública, o excesso de aditivos é dado como sintoma de projetos básicos malfeitos, que não preveem a realidade da obra e exigem correções constantes e onerosas. 

A cada nova assinatura, o cronograma é dilatado. 

Documentos oficiais já indicam prorrogações que estendem a conclusão de etapas e obras conexas (como a revitalização da Linha Internacional financiada pelo FONPLATA) para fevereiro de 2026, transformando a promessa de entrega de 2024 em uma miragem.

Prefeito Eduardo Campos

(TCE deve agir na obra / foto: TCE/MS)

Gastos milionários 
Enquanto as obras estruturantes patinam, a caneta do Executivo segue ágil para novas despesas. Em janeiro de 2026, a Prefeitura homologou um contrato de R$ 4,5 milhões com a empresa MB3 Construções Ltda para a "locação de máquinas pesadas e caminhões com operador".

A contratação levanta suspeitas sobre a capacidade operacional do município: se há empreiteiras contratadas por milhões para executar as obras do Anel Viário (com maquinário próprio incluso nos contratos), qual a justificativa para o município desembolsar mais R$ 4,5 milhões em aluguel de máquinas? O contrato sugere que a Prefeitura pode estar assumindo frentes de serviço que deveriam ser das empresas licitadas, ou tentando tapar buracos, literais e figurativos, deixados pela lentidão das contratadas.

Caos urbano
Para o cidadão de Ponta Porã, a má gestão traduz-se em transtorno diário. A simultaneidade de obras atrasadas do Anel Viário com as intervenções de drenagem do FONPLATA no centro da cidade criou um "nó" no trânsito. Interdições constantes na Avenida Brasil e ruas adjacentes, somadas à poeira e ao tráfego pesado que ainda circula por dentro da cidade, testam a paciência da população.

Reeleito em 2024, era vice do ex-prefeito Hélio Paluffo, Eduardo Campos inicia o novo mandato com o desafio de provar que o Anel Viário não será uma "obra eterna". Até o momento, a gestão entrega mais aditivos e correções do que quilômetros de asfalto de qualidade.

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