O deputado Marquinhos Trad (PMDB) ganhou as páginas dos jornais na semana passada, denunciando um projeto de criação de cargos no TCE-MS ( Tribunal de Contas do Estado), que classificou como imoral e ilegal. Entretanto, apesar de cobrar lisura da Corte de Contas, o deputado vem abafando sucessivamente as investigações sobre a gestão do ser irmão em Campo Grande, o ex-prefeito Nelsinho Trad (PMDB).
Em 2013, quando as investigações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde apontavam inúmeras irregularidades, entre elas a compra do Sistema Gisa - que nunca funcionou e que custou R$ 10 milhões aos cofres públicos - Marquinhos defendeu o irmão Nelsinho e o primo Luiz Henrique Mandetta (DEM), que hoje são réus em processo movido pelo MPF (Ministério Público Federal).
Para tirar o foco do voto em separado do presidente da CPI, Amarildo Cruz (PT), que pediu indiciamento de Nelsinho e Mandetta como responsáveis pelas irregularidades, Marquinhos passou a questionar e insuflar a imprensa sobre os valores gastos pela CPI da Saúde.
Na época, Amarildo chegou a dizer que “bastou o pedido de indiciamento para o nosso trabalho ser questionado por alguns que se dizem defensores da moralidade se sentirem agredidos”.
Marquinhos foi ao ataque, falando que a CPI gastou R$ 350 mil sem necessidade, e tentando desmoralizar os trabalhos de investigação, que focavam especificamente em Nelsinho e Mandetta.
Ainda na defesa do irmão, Nelsinho Trad, Marquinhos nada falou sobre as denúncias de tapa-buraco fantasma, nem agora, nem na época em que o familiar era prefeito de Campo Grande. O serviço, que custa mais de R$ 150 milhões ao ano em dinheiro público, é alvo até de investigações do Ministério Público Estadual.
O escândalo do tapa buracos fantasma, divulgado pela imprensa nacional, não foi sequer citado pelo deputado na Casa de Leis. Isso porque, denúncias que estão sendo investigadas apontam que o esquema remonta de 2010, ou seja, durante a gestão do seu irmão a frente da prefeitura.
Bilionário
Outro escândalo "esquecido" pelo parlamentar foi os contratos assinados a "toque de caixa", nos últimos dias de administração de Nelsinho Trad. Em poucos dias de dezembro de 2012, mais especificamente próximo do Natal e Ano Novo, o então prefeito finalizou três licitações: do transporte coletivo urbano, do lixo e da inspeção veicular, um negócio bilionário.
Os três processos foram alvo de investigação do MPE. O da inspeção veicular, inclusive, foi bloqueado judicialmente, e ainda é discutido na Justiça. Em todos esses momentos, Marquinhos nada disse.
Já entre 2014 e 2015, pelo contrato - assinado por Nelsinho - a CG Solurb, concessionária responsável pelo lixo na Capital, recebeu dois aditivos, e hoje ganha mais de R$ 9 milhões ao mês do município (um reajuste superior a 100%). O deputado estadual, irmão de Nelsinho, novamente se calou.
Silêncio
Quando a Máfia do Câncer - integrada pela Câmara Setorial da Saúde que eram os diretores dos Hospitais públicos e a Secretária da Saúde de André Puccinelli (PMDB), Beatriz Dobashi - foi desnudada pelas investigações, Marquinhos Trad também se calou.
Conhecido por usar a tribuna da Assembleia para disparar contra diversos problemas, Marquinhos se calou na hora de reforçar as investigações do maior escândalo envolvendo a saúde sul-mato-grossense.







