O deputado estadual Carlos Marun (PMDB) vem usando da tribuna da Assembleia para falar a respeito da forma de exercer a Democracia que, segundo ele, deve se manifestar por meio do voto. Isso explica em parte a falta de transparência que o governo do Estado, que Marun de alguma forma representa, teima em manter, para que as manifestações da população se restrinjam à Democracia do Voto Obrigatório e retira o necessário acompanhamento do eleitor durante todo o mandato do parlamentar.
Marun diz que os políticos vêm sendo agredidos e, estranha o que ele considera radicalização na vida polícia e social brasileira. “Greve sempre houve (...) fecharam a empresa e depredaram 300 ônibus. Fecharam a empresa saquearam, quebraram e queimaram cerca de 300 ônibus, nem na Síria que passa por esse momento tão difícil houve tamanha destruição”, disse, numa comparação entre as manifestações que desaguaram em greves em diversas regiões do país.
Citando diversos casos de parlamentares que, conforme foi divulgado por investigações, têm ligações com facções criminosas, tentando ligar “todos” os parlamentares à determinados partidos, em especial ao Partido dos Trabalhadores, numa forma clara de minar a candidatura do senador Delcídio do Amaral (PT) para o governo do Estado.
Talvez valesse começar a analisar estes movimentos grevistas e as diversas manifestações contra da Copa do Mundo de Futebol, que não se dá contra o espetáculo do esporte, mas contra a corrupção que permeou as obras, a começar pela opção de 12 estádios, quando seriam necessários apenas oito. É sim um governo dito democrático que bebe da máxima do período final da ditadura que manteve campeonato nacional com mais de 100 equipes de futebol na hipocrisia máxima de “Onde a Arena (partido político dos donos do poder) vai mal, um time no Nacional”.
O deputado é o exemplo mais vivo da estranha forma de participar da política de grande parte dos eleitores. Afinal, é lançado candidato a cada pleito, quando André Puccinelli era prefeito de Campo Grande, Marun concorria ao cargo de vereador; quando André assumiu o governo do Estado, Marun disputa a Assembleia. Em um caso, como no outro, se sai vitorioso em função da exposição que obtém por ocupar secretaria que trata da habitação popular. Houvesse, de direito e de fato, um acompanhamento do voto, porque Democracia não se restringe ao momento eleitoral, e Marun deveria dar explicações dessa vocação a obter votos em número que levem para o legislativo, candidatos sem a necessária obediência democrática.







