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Menina Yasmin desmente que tenha ignorado Bolsonaro: “não sou mal-educada”

O presidente perguntou se a menina era palmeirense e ela balançou a cabeça dizendo 'não', gerando o mal-entendido. Família teme retaliações

22 ABR 2019
Da redação/Metropoles
15h51min
Foto: Reprodução/Metropoles

“Tenho medo de ir à escola”. A declaração é da pequena Yasmin Alves, de apenas 8 anos. A menina tornou-se conhecida nacionalmente na quinta-feira (17) após um vídeo viralizar nas redes sociais e ser publicado em dezenas de veículos de comunicação. Na imagem, a criança parece recusar-se a cumprimentar o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), durante evento na Escola Classe 1 da Estrutural.

A interpretação dada às cenas, num primeiro momento, pela imprensa, foi equivocada. Tanto Yasmim quanto seus pais confirmam o erro e os transtornos gerados pela informação disseminada. “Ele perguntou quem era palmeirense e eu balancei a cabeça dizendo que não era”, explica Yasmin, reforçando sua paixão pelo Flamengo. “Fico muito triste porque as pessoas estão falando mal de mim, que sou mal-educada”, diz a estudante do 3º ano do ensino fundamental, que, nesta segunda-feira (22), retorna ao colégio depois do feriado prolongado.

O centro de ensino fica numa das regiões administrativas mais carentes do DF, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 18 vezes mais baixo do que o do Lago Sul, bairro mais nobre da capital. A garota nega e diz que tudo não passou de um mal-entendido. A mãe, Cléia Romano, mostra-se preocupada com a repercussão do caso. "Minha filha chora."

Pai bolsonarista

O pedreiro Valdir Alves, 48 anos, pai de Yasmin, diz que o mal-entendido trouxe dor de cabeça e chateação para toda a família. Ele, que se diz eleitor de Bolsonaro, considera um crime a exposição da imagem da menina.

"Transferi meu título para cá e votei no Bolsonaro. Não imaginaria que pudesse chegar a esse ponto. Saio nas ruas e vejo as pessoas comentando sobre a minha filha. É uma criança de oito anos convivendo com essa expectativa de não querer nem estudar porque todo mundo fala dela."

A mãe, Cléia Ramone, 26, preocupa-se com a possibilidade de sequelas psicológicas na filha e também com a integridade física da menina. “Ela está chorando, triste e transtornada, porque tem uns que são muito a favor [do presidente Bolsonaro], e tem gente que não gosta dele. Fico pensando no que podem fazer”, diz a dona de casa.

Feriado

Preocupada com possíveis retaliações no feriado da Páscoa, a família desmarcou os planos de ir ao shopping comprar os ovos de chocolate nesse domingo (21). A enorme repercussão do caso começou após uma matéria ser publicada pela Agência de Estado — pertencente ao Grupo Estado de comunicação —, que produz e vende seu conteúdo para inúmeros jornais do país. Daí o efeito dominó causado pela publicação.

Foi o próprio Estadão que reconheceu o erro e, nesse domingo de Páscoa (21), publicou uma nova reportagem desfazendo o mal-entendido. O periódico informou ter tido acesso, por meio de uma fonte do governo, ao vídeo com legenda – onde é possível ouvir o presidente perguntando às crianças se elas eram palmeirenses. É nesse contexto que a menina faz sinal de negativo com a cabeça, versão confirmada pela própria Yasmin nesta entrevista.

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