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segunda, 17 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Mesmo com risco de afastamento, vereadores iniciam 'guerra' com Bernal

29 setembro 2015 - 15h01Por Dany Nascimento

O clima de paz com os parlamentares, tão cogitado pelo prefeito Alcides Bernal (PP), foi substituído por um ambiente de "guerra" durante a sessão ordinária realizada nesta terça-feira (29), na  Câmara dos Vereadores. Um dia após o Ministério Público Estadual confirmar que pede o afastamento de 17 parlamentares, acabou de vez a paz entre Executivo e Legislativo em Campo Grande.

Os parlamentares fizeram o uso da palavra para demonstrar revolta na possibilidade de serem retirados do cargo. De acordo com o vereador e presidente interino da Câmara Municipal, Flávio César (PT do B), nenhum vereador foi notificado até o momento, mas já tomaram conhecimento da possibilidade de serem afastados através de informações divulgadas pela imprensa. "Nenhum parlamentar foi notificado até agora, a cassação foi feita respeitando as leis e não houve recebimento de benefício, mas sim, crimes cometidos pelo prefeito em exercício na época. Como não houve notificação, a Casa continua realizando os trabalhos normalmente".

Para o vereador Chiquinho Telles (PSD), a informação de que a decisão agora está nas mãos do desembargador Luiz Cláudio Bonassini, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, chegou de surpresa, pois o parlamentar garante que não foi ouvido pelo MPE.

"Eu estou surpreso porque nem fui ouvido pelo MPE, não votei na cassação em troca de benefícios, votei porque sou parlamentar e vi que a cidade estava sofrendo durante a gestão do prefeito Alcides Bernal. Estou até agora procurando onde houve crime no dia da cassação, sendo que foi feito diante de improbidade administrativa por parte de Alcides Bernal", afirma Chiquinho.

Concordando com as afirmações de Chiquinho, o vereador Airton Saraiva (DEM) afirmou, em tom alterado, que Bernal foi cassado por cometer crimes e desrespeitar aqueles que atuam na Câmara Municipal.

"Ele foi cassado porque desrespeitou a cidade, cometeu crimes, enquanto estava na administração da Capital e ainda faltou com respeito com os parlamentares que aqui estão. Ele fez piadinha com os vereadores, dizendo que não sabia se colocava os vereadores na antiga rodoviária, na esquina ou embaixo de uma árvore. Ele falou que o vereador Vanderlei Cabeludo assustava criancinhas, ele simplesmente achou que conseguia cuidar da cidade sozinho e acabou sendo cassado legalmente", diz o vereador.

Questionado sobre realizar reuniões em casa com a presença de parlamentares para articular a cassação de Bernal que aconteceu em março de 2014, Saraiva disse que não vai se defender e nem assumir que realizava as reuniões, respeitando a investigação que é sigilosa.

Carlão (PSB), que também aparece na lista dos vereadores que podem ser afastados, destacou que está "tranquilo" e caso o afastamento ocorra, terá o direito de contestar. "Não vejo nenhum crime no meu voto, porque eu votei pelo bem da população, mas quando percebi que Bernal não se defendia dos crimes acusados, votei pela cassação fazendo meu papel de parlamentar desta Casa de Leis. Mas se acontecer o afastamento, com certeza teremos o direito de recorrer".

Até mesmo o petista que seria o mais cogitado para ser líder do prefeito na Câmara, Marcos Alex (PT) admitiu que em um mês de gestão, o clima entre a prefeitura e o executivo se transformou em "guerra".

"Essa questão é muito ruim para a Capital, o clima político está muito ruim e virou uma queda de braço, virou uma guerra a relação prefeito e vereadores. Infelizmente o que temos a dizer é que a relação com o prefeito é inalterada", afirma Alex.