Mesmo investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o vereador Maurício Helpis de Oliveira (PSDB) foi eleito, nesta semana, o novo presidente da Câmara Municipal de Coxim.
A eleição, realizada de forma antecipada, garantiu a ele o comando do Legislativo para o biênio 2027–2028, em uma votação apertada e marcada pelo silêncio sobre as graves denúncias de corrupção e falsificação de documentos que pesam contra o parlamentar.
OS VOTOS
A vitória de Helpis foi conquistada por 7 votos a 6. Votaram a favor da chapa vencedora “Força do Povo” os vereadores: Maurício Helpis (PSDB), Adriana Nabhan (MDB), Lúcia da AAVC (PP), Simone Gomes (Republicanos), Lourdes da Silva (Podemos), Jefferson Aislan (Republicanos) e Marquinhos Vaz (Republicanos).
O resultado foi visto como um ato político controverso, já que a maioria dos parlamentares ignorou o fato de que Helpis é alvo de uma investigação criminal conduzida pelo Gaeco e de uma denúncia formal do Ministério Público por corrupção, falsidade ideológica e fraude documental.
AS DENÚNCIAS
As investigações conduzidas pelo Gaeco, braço do Ministério Público responsável por combater o crime organizado, revelam que Maurício Helpis é um dos beneficiários diretos de um esquema de fraude milionária na regularização fundiária urbana (REURB) em Coxim.
O grupo denunciado pelo MP é acusado de montar um esquema de “grilagem de papel”, que envolvia a emissão de Certidões de Regularização Fundiária (CRFs) ideologicamente falsas e a manipulação de registros públicos para simular a legalização de terrenos.
O Ministério Público denunciou sete pessoas por envolvimento no caso, entre elas Rodrigo Ferreira Lima, Thiago Cruz Cassiano da Silva, Márcio Rodrigues da Silva, Heverton Furtado Simões, Rodrigo de Amorim Melo e Maurício Helpis de Oliveira.
As penas para os crimes apurados podem ultrapassar 470 anos de prisão, somando os delitos de organização criminosa, corrupção passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
NEGÓCIO
De acordo com o Ministério Público, Rodrigo Ferreira Lima, então gerente de tributação da Prefeitura de Coxim, e Maurício Helpis de Oliveira celebraram uma negociação no valor de R$ 1.312.000,00 referente à simulação de regularização fundiária. O valor demonstra o alcance financeiro do esquema e o grau de envolvimento direto entre o servidor público e o parlamentar.
As investigações também indicam que Helpis teria sido beneficiado com três CRFs falsas — numeradas 16/2024, 17/2024 e 22/2024 — emitidas e registradas sem cumprir as exigências legais.
Os pagamentos de propina, segundo o MP e o Gaeco, eram feitos em dinheiro vivo, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.
BUSCA E APREENSÃO
Durante a segunda fase da operação, realizada em 28 de maio de 2025, o Gaeco cumpriu mandado de busca e apreensão na residência e no escritório de Helpis, localizados na Rua José Antônio, nº 206, bairro Piracema, em Coxim.
Na ação, foram apreendidos R$ 2.250,00 em espécie, contratos de compra e venda de imóveis, anotações em agendas e um pendrive.
O material reforçou a linha de investigação que aponta para a participação ativa do vereador na fraude de regularização fundiária, em associação com servidores municipais e intermediários.
O espaço está aberto para o posicionamento do parlamentar.







