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domingo, 13 de junho de 2021
Política

Mineradora ligada a Waldir Neves tenta vender áreas penhoradas pela Justiça

'Fantasma' do conselheiro é principal representante na negociação

10 junho 2021 - 12h55Por Vinícius Squinelo

A operação “Mineração de Ouro”, que teve como alvo conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, trouxe à tona outras transações milionárias e suspeitas. A principal envolve uma empresa chamada Mineração Pirâmide e Participação – MPP, localizada no município de Corumbá. Todo o negócio é permeado por dúvidas jurídicas e mistérios financeiros. A empresa tenta vender uma área penhorada, e tem como advogado e envolvidos nomes ligados ao conselheiro Waldir Barbosa Neves, alvo da Polícia Federal ontem.

A reportagem teve acesso ao processo e revela, com exclusividade, mais uma denúncia que promete esquentar a política regional.

De início, a MPP, mesmo com dívidas na casa dos 100 milhões de reais, estaria sendo adquirida pela empresa “4bmining”, do Canadá. A estrangeira, mesmo relacionada a tamanho negócio, sequer possui site ativo, tirado do ar após denúncias de vendas de cotas de participação de maneira irregular para possíveis investidores 

A dívida milionária está sendo cobrada na Justiça pelo espólio de Francisco de Moura Assis contra os sócios da mineradora, Theotonio dos Reis da Costa Neto, Hiadas Reis Jordano e Claudio da Silva Simão, e culminou na penhora de 100% do solo e do subsolo da fazenda Santa Luzia, localizada em Ladário.

E é justamente esta área, mesmo penhorada, que sendo negociada de maneira irregular pela mineradora com a empresa canadense. A compradora já estaria ofertando vagas de emprego na região. Vale lembrar ainda que empresa estrangeira não pode ter controle acionário de negócios referentes a mineração em faixa de fronteira, conforme versa o Conselho de Defesa Nacional.

Atualmente, a MPP não está em operação, supostamente porque um dos sócios, Theotônio dos Reis Costa Neto, teria retirado do local um dos principais equipamentos responsáveis pela produção do minério. 

E neste negócio, de venda de uma área penhorada, que entram as ligações com os envolvidos na operação “Mineração de Ouro”. O atual advogado da MPP é Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, alvo da Polícia Federal na manhã da última terça-feira (8), com ação de busca e apreensão em sua casa no Jardim Itatiaia, bem como em seu escritório de advocacia no bairro Jardim dos Estados, onde também funciona o escritório da Mineradora Betione. Willian é primo do conselheiro Waldir Neves, e foi apontado como um dos funcionários “fantasmas” da empresa Dataeasy Consultoria e Informática. 

Outro “envolvido” é Felix Jayme Nunes da Cunha, que além de ter figurado como protagonista de operações financeiras suspeitas com o conselheiro Waldir Neves, também atuou como advogado de Theotônio Costa Neto, que agora tem como patrono o primo de Waldir. 

O PROCESSO

A ação que corre na Justiça de Mato Grosso do Sul teve decisão favorável para o espólio para que seja realizada a penhora da propriedade e 100% das quotas dos administradores. A decisão também alertou aos advogados dos sócios da MPP, advertindo-os sobre a possibilidade de uma multa por litigância de má-fé, considerando que foram peticionadas várias peças, tumultuando o processo. 

Em 2017, quando o processo foi ajuizado os devedores chegaram a fazer um acordo, mas os cheques emitidos por eles voltaram por falta de fundos. Desde então, os devedores acumulam sucessivas derrotas judiciais. 

O caso ganhou notoriedade em novembro de 2018 quando Claudio da Silva Simão foi morto a tiros no jardim Bela Vista em Campo Grande. 

ESCLARECIMENTO

Anteriormente, a reportagem informou que a empresa vendeu 49% do capital para a ArcelorMittal, no entanto, a companhia esclarece que não tem nenhum vínculo comercial ou participação na Mineração Pirâmide Participações – MPP, "sendo apenas mais uma credora da referida mineradora".

"Em novembro de 2011, a ArcelorMittal obteve sentença arbitral anulando a compra de 49% da MPP, em razão do descumprimento, pela MPP, de condições precedentes estipuladas no acordo firmado entre as duas empresas. A sentença também determinou  pagamento pela MPP de indenização à ArcelorMittal pelos danos causados, o que não foi feito até a presente data".

* Matéria editada às 10h58 de 12/6 para esclarecimentos