O presidente da Associação de Vítimas de Erro Médico de Campo Grande (Avem-MS), Valdemar Moraes, informou na manhã desta quinta-feira (27), que os pais da acadêmica Alana Cristina, que sofreu um ataque cardíaco e faleceu antes que recebesse socorro médico da ambulância do Serviço de Atendimento Móvel à Urgência (SAMU) deslocada para atender a ocorrência, serão recebido pelo procurador-chefe do Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul (MPF-MS), Pedro Paulo Grubits Gonçalves de Oliveira, para determinar quais procedimentos serão adotados.
Valdemar Moraes esteve acompanhando a manifestação ocorrida nesta manhã, no plenário da Câmara Municipal de Campo Grande, onde acadêmicos da Anhanguera- Uniperd cobraram das autoridades públicas providências que evitem que novos casos como o de Alana ocorram. O objetivo era atender ao pedido dos pais da acadêmica para que o seu nome não fosse utilizado como bandeira de luta.
Os pais da acadêmica seriam recebidos pela procuradora dos Direitos do Cidadão, Analicia Ortega Hartz, mas que entrou em licença maternidade, sendo substituída neste caso pelo procurador Pedro Grubits, para possíveis ações que determine responsabilidades. A presença do presidente da Avem-ms, que já acompanha o caso, não será permitida no encontro.
O caso
Alana Cristina cursava o primeiro semestre de arquitetura na Anhanguera-Uniderp, quando sentiu-se mal em função de um trabalho acadêmico que deveria apresentar.
Segundo informou uma colega que a acompanhava no momento da fatalidade, Ana Paula Dantas 20 anos, a jovem sentiu dores no peito (infartou), desmaiou e quando caiu bateu com a cabeça e passou a ter convulsões.
A ambulância do Samu, demorou 26 minutos para oferecer socorro, por diversos e inusitados motivos que vão desde uma falha de comunicação entre o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar e a Central de atendimento do Samu, a ambulância ser impedida de entrar no estacionamento - administrado por terceiros - da faculdade, até a localização do bloco onde ocorria o fato.
Manifestação
Acadêmicos daquela Universidade compareceram à Câmara Municipal de Campo Grande, na manhã de hoje, para protestar contra a lentidão do socorro e solicitar que providências sejam tomadas para que novos casos não venham a ocorrer naquela ou em outras universidades. Falaram em nome dos alunos, Augusto Josuel, diretor-geral e Jefferson Lucas, diretor-jurídico do Centro Acadêmico de Direito daquela instituição.
Os vereadores ocuparam o microfone de apartes para, de forma geral, apoiarem a indignação dos acadêmicos presentes, e cobrarem melhor estrutura de emergência médica pública e maior responsabilidade das Faculdade e Universidades para que mantenham equipes e equipamentos emergenciais.
O vereador Paulo Siufi (PMDB), presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara e que presidia os trabalhos da Mesa, informou que há promessa do atual prefeito de que em trinta dias, 20 ambulâncias do SAMU estarão operantes, e salientou que uma lei de 2005 que obrigava a disponibilidade de desfibriladores nas unidades não foi regulamentada, mas existe uma Projeto em trâmite, de autoria dos vereadores Mario Cesar (PMDB), Magali PIcarelli (PMDB), Airton Saraiva (DEM) e dele próprio, obrigará a todos os locais onde estejam presentes mais de duas mil pessoas de forma constante (Universidade, Templos etc.) devem contar com posto de atendimento médico com profissionais e equipamentos.
Citado pelos alunos como falho por não estar preparado para casos de emergência e encerrar suas atividades às 19 horas, o Centro de Especialidades Médicas(Cemed) daquela instituição, não tem por objetivo ser um pronto atendimento emergencial, conforme salientou o vereador. "Estivemos, como presidente da Comissão de Saúde desta Casa, em contato com a Universidade, quando conversamos com o pró-reitor Ivo Busato, que nos informou que nenhuma assistência foi negada aos familiares de Alana, e que o Cemed atende aos acadêmicos e à população, mas não tem como caráter o atendimento emergencial. Temos trabalhado e vamos nos concentrar ainda mais no esforço de tomar e cobrar atitudes para que casos desse tipo não mais aconteçam", enfatizou Paulo Siufi.
A Avems, por meio do seu presidente Valdemar Moraes, informou que dará uma entrevista coletiva com a presença dos pais da acadêmica na tarde de sexta-feira, para informar as ações a serem tomadas neste que consideram mais um caso que se enquadra em morte por erro médico.
Os acadêmicos da Uniderp organizam uma manifestação no Paço Municipal objetivando sensibilizar o prefeito da Capital para que o serviço de atendimento de urgência funcione plenamente no menor espaço de tempo possível, e que se cobre de todas as faculdades uma estrutura de pronto atendimento.







