Cerca de 50 pessoas estão reunidas, na manhã deste domingo (21), no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, em protesto contra a chamada “PEC da Blindagem” e a anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. A mobilização começou por volta das 8h e reúne militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais.
O ato conta com bandeiras da Unidade Popular, do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Comunista Brasileiro (PCB), além da bandeira da Palestina. Também há faixas diversas, com pautas variadas, mas as principais reivindicações concentram-se na rejeição à PEC nº 3/2021 e à anistia a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Sou contra a PEC da Blindagem para proteger esses políticos. Os bolsonaristas tentaram dar um golpe e não podem receber anistia”, afirmou Sandra Maria da Silva, 58 anos, uma das participantes.
Durante o ato, pequenos grupos exibem faixas aos motoristas quando o semáforo fecha e retornam à calçada assim que o sinal abre. O protesto também reúne integrantes do movimento LGBT e vendedores ambulantes oferecem água mineral e água com gás aos manifestantes. O grupo também entoa o grito de guerra: "Não tem blindagem, não tem perdão. Bolsonaro na prisão".
O que é a PEC da Blindagem
A Proposta de Emenda à Constituição nº 3/2021, apelidada de “PEC da Blindagem” ou “PEC das Prerrogativas”, amplia proteções a parlamentares, exigindo autorização prévia das respectivas Casas para que deputados e senadores sejam processados criminalmente ou presos em flagrante. O texto também institui votação secreta para esses casos, medida criticada por dificultar a transparência.
Na Câmara dos Deputados, a proposta foi aprovada em dois turnos — no primeiro, com 353 votos a favor e 134 contrários; no segundo, com 344 votos favoráveis e 133 contrários. Agora, segue para o Senado, onde também precisará de aprovação em dois turnos, com quórum qualificado.
Juristas, movimentos sociais e parte da classe política criticam a iniciativa, que, segundo eles, pode travar investigações de corrupção e blindar parlamentares de responsabilização. A expectativa é de forte resistência no Senado e possíveis questionamentos no Supremo Tribunal Federal.







