As investigações do MPF (Ministério Público Federal) revelam superfaturamento de R$ 2,1 milhões na compra do imóvel para ampliar o Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. Este é mais um esquema comandado pelo médico Adalberto Abrão Siufi, que integrava a “Máfia do Câncer”.
Em julho de 2007 o Ministério da Saúde já havia concluído uma segunda etapa do trabalho de força-tarefa que apurava denúncias de má aplicação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos serviços de encologia. O próprio ministro na época, Alexandre Padilha denunciava um esquema “que ganhava dinheiro com o tratamento de pacientes em estado terminal ou até já mortos”.
Auditores constataram problemas em 250 prontuários médicos de tratamento de oncologia no Hospital de Câncer e na Santa Casa de Campo Grande. Denucniaram por meio das escutas feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, na Operação Sangue Frio: "Essa é uma evidência que existia uma máfia do câncer, em Campo Grande, que ganhava dinheiro inclusive ao prescrever medicamentos.”
Na época, o juiz da 1ª Vara da Justiça Federal na Capital, Ricardo Damasceno de Almeida, havia decretado a indisponibilidade de R$ 51,3 milhões de Siufi, da sua filha e ex-administradora do hospital, Betina Moraes Siufi Hilgert, do sócio na Neorad, Issamir Farias Saffar, e do presidente da Fundação Carmem Prudente na época, Blener Zan.
Também foi constatado que na ampliação do hospital foram gastos R$ 9,2 milhões com a compra de dois terrenos sem laudo de avaliação do imóvel. A pedido do MPF houve realização do custo dos imóveis. A Câmara de Valores Imobiliários elaborou laudo e concluiu que houve um superfaturamento de R$ 2,1 milhões.
Bloqueio
Agora, a 1ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, atendendo liminar que atende a ação cautelar proposta pelo MPF e MPE concedeu liminar sequestrando R$ 51.381.369,79 em bens dos investigados Adalberto Abrão Siufi (ex-diretor geral do Hospital do Câncer), Betina Moraes Siufi Hilgert (filha de Adalberto e ex-diretora administrativa do hospital), Issamir Farias Saffar (dono da Neorad) e Blener Zan (ex-presidente do conselho curador do Hospital do Câncer). A medida é prevista na Constituição Federal.
Sem retorno, mas com culpa
Não há como retomar vidas tomadas, não há como recuperar a dor dos familiares, nem há como explicar de forma convincente todos aqueles que foram vítimas da quadrilha travestida de médicos.
Talvez falte à população, inclusive um certo consolo em vê-los penalizados porque a esperança na justiça brasileira está nas ações pontuais dos Ministérios Públicos, mas não alcançam a justiça plena. Haverá julgamento? É o que se questiona a população. Todos os envolvidos estão em liberdade, a Clínica foi vendida, os mortos não falam. Os valores recebidos vão além dos R$ 51 milhões calculados. A CPI da Saúde traz à população o sentimento de “vergonha alheia” em função de seus resultados, pois que inocentou todos os envolvidos, escondeu parentescos e colocou nos mortos a culpa pela doença.
Hoje, ninguém tem relação com os envolvidos, ninguém assume a culpa por haver dado respaldo aos desvios cometidos. Foram cometidos a partir de uma instituição pública, então não há como apontar e penalizar este ou aquele; não há como inocentar poderes e pessoas que têm entre as suas funções, fiscalizar.







