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Murilo Zauith é candidato ao governo, mas de olho no Senado

Quebra-cabeças

5 MAR 2014
Dirceu Martins
15h00min
Murilo Zauith (PSB) numa mão a carta que joga e na outra o jogo que tem

O prefeito de Dourados, Murilo Zauith (PSB), após encontro com o governador André Puccinelli no início do mês de março, teve aventada como possível a sua candidatura à chefia do governo de Mato Grosso do Sul, no entanto, os políticos de Dourados que lhe deram apoio na ampla aliança feita para reordenar a administração daquela cidade, acreditam que o nome Murilo para o cargo é um  factóide que lhe possibilite algum convite para disputar a vaga para o Senado.

Essa candidatura também permite munição  ao governador André Puccinelli (PMDB) fazer arranjos que minem as forças da candidatura do senador Delcídio do Amaral (PT), impedindo uma vitória por grande margem de votos, o que colocaria o PMDB estadual nas mesmas condições que o partido assumiu nacionalmente: andar a reboque dos que detêm o poder. Foi assim no governo peessedebista e tem sido com o governo petista.

Nas rodas políticas

O que se ouve falar nas rodas políticas é que Murilo Zauith não sai candidato, e que tudo não passa de especulação para ver se algum candidato de peso se interessa em indicar seu nome ao Senado, numa composição que abranja vários partidos.

O empresário Elizio Brites, nome tido como certo para concorrer ao cargo de prefeito de Dourados pelo PSDB, nas eleições de 2012, e foi preterido no momento da grande coligação que se formou ao redor do nome de Zauith, mesmo com as pesquisas indicando grande chance de vitória, acredita que os nomes que têm se apresentado como candidatos, não alteram para melhor a política do Estado.

"Para mim são todos farinha do mesmo saco, pertencem a grupos moralmente falidos, que se unem em vésperas de eleições para se revezarem no poder e acobertar as falcatruas uns dos outros. Dos nomes colocados, não vejo nenhuma novidade ou esperança de uma Administração séria em nosso Estado", disse Brites.

A falta de novas lideranças, impedidas de nascer e crescer pelas lideranças dos diversos partidos é o que mantém um continuísmo ruim para o presente e, principalmente para o futuro do Estado, conforme a visão dos políticos douradenses que buscam ganhar destaque e implementar uma nova política em Mato Grosso do Sul.

A depender do PMDB, Murilo terá todo o apoio para se aventurar como candidato ao senado ou à vice-governadoria em qualquer das coligações a serem formadas, pois dessa forma, Odilon Azambuja (PMDB), assumiria a prefeitura já em condições de administração melhores do que as que assumiu Murilo. Odilon foi o articulador que impediu a candidatura de Marçal Filho pelo seu partido e esvaziou candidaturas de outros partidos.

Composições difíceis

Caso Murilo venha a colocar sua candidatura ao senado, as composições viáveis para o Mato Grosso do Sul esbarram nos direcionamentos e composições dos diretórios nacionais dos partidos envolvidos. Murilo candidato seria o representante maior de Eduardo Campos (PSB) no Estado. Se compuser chapa com o PMDB de Nelsinho, enfraqueceria seu candidato  à presidência, no Estado, e nesse caso melhor seria não haver candidato; com Delcídio, dividiria o palanque entre Dilma e seu ex-aliado e atual opositor; com Reinaldo Azambuja, forçaria que o tucano assumisse a condição de candidato ao governo do Estado, que ele não quer nem pretende.

Restaria apenas a possibilidade de uma chapa PSB/PSDB com Murilo ao governo do Estado e Azambuja ao Senado, mas nesse caso Murilo deixaria a prefeitura certa por um futuro muito improvável. Tudo isso ainda são nuvens ainda formando o desenho no céu, sujeita a ventos que lhe moldem.

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