A população de Campo Grande compareceu em peso na Câmara Municipal nesta manhã de terça-feira (19), para protestar contra o prefeito Gilmar Olarte, do PP. Os servidores municipais, em especial, foram pressionar os vereadores, tentando que o Executivo dê o braço a torcer e reajuste os salários como previsto em lei, além de forçar os parlamentares a obrigar o prefeito a devolver benefícios que foram cortados pela administração. O clima dentro do parlamento foi tenso, entre vaias e gritos, com vereadores se exaltando e até assessores brigando com manifestantes. Mesmo assim, a Casa de Leis aprovou mais R$ 9 milhões para Gilmar Olarte.
Embora a pauta fosse a questão salarial, o que pesou foi a repercussão do caso envolvendo o prefeito Gilmar Olarte, alvo da imprensa nacional que revelou toda a investigação iniciada pelo Gaeco, por meio do Ministério Público Estadual, que aponta o prefeito como principal mentor em esquema estelionatário e por crimes como corrupção passiva, continuidade delitiva e lavagem de dinheiro.
O vereador Paulo Pedra, do PDT, chegou a declarar que Olarte está acostumado 'a mentir para os fieis', e afirmou porque ele não seria capaz de 'mentir para a população'. Os servidores que estavam presentes aplaudiram e gritavam sinalizando positivamente para a declaração do parlamentar.
Ainda durante a sessão, o ponto alto foi quando os vereadores Luiza Ribeiro, do PPS, Thais Helena e Marcos Alex, ambos do PT, entregaram em mãos os documentos para a abertura da Comissão Processante.
Neste momento, os vereadores Airton Saraiva, do DEM, e Chiquinho Telles, do PSD, ficaram revoltados com o pedido. Saraiva chegou a declarar que a oposição teria orquestrado tudo e fazia do momento um grande espetáculo. Próximo da Mesa Diretora, Telles todo reclamava com o presidente da Casa de Leis, Mario Cesar, do PMDB, e em dado momento chegou a pedir que a sessão fosse suspensa e declarou: "assim não dá para trabalhar". Todos foram amplamente vaiados pelos presentes. A processante não tem prazo para ser avaliada em plenário.
Já o vereador Carlos Augusto, do PSB, também recebeu vaias ao apresentar um projeto de iluminação pública para um órgão público. Mas em reposta rápida calou os manifestantes dizendo que 'mesmo diante das vaias, iria apresentar os seus projetos".
Com relação a vereadora Carla Stephanini, do PMDB, que há dias sinalizava a sua independência, e hoje, diante da plateia presente, confirmou o que já era esperando, alegando o desgoverno de Olarte como principal motivo para ficar independente na Câmara.
Projetos
Após acalmar os ânimos, a base aliada do prefeito Gilmar Olarte ainda saiu vitoriosa. Os vereadores já tinha aprovado um projeto autorizativo no valor de R$ 7,2 milhões como contrapartida da prefeitura para utilizar no setor do transporte coletivo. Hoje, o executivo reencaminhou o projeto pedindo o aumento de R$ 7,2 milhões para R$ 9,3 milhões. O argumento seria para ajudar nos Ceinfs, mas ainda assim, a vereadora petista Thais Helena leu o projeto original e desmentiu o prefeito.
No entanto, entre acusações de caráter partidário, o projeto foi aprovado por 20 votos a favor, contra sete. Otávio Trad em tempo, conseguiu reverter o seu voto, antes contrário para favorável ao projeto, após estar distraído na sessão.
Por fim, o projeto do executivo que todo mundo aguardava onde transforma o Instituto Mirim em fundação foi retirado de pauta. Com isso, após todos os percalços, a sessão tão atípica foi encerrada na Câmara Municipal.







