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Política

Não mandam nessa 'nega' aqui, diz Tia Eron no Conselho de Ética

14 junho 2016 - 16h27Por Uol

Em discurso na sessão do Conselho de Ética, a deputada Tia Eron (PRB-BA) rebateu as críticas dos deputados sobre a ausência dela na última sessão da comissão e afirmou que os parlamentares "não mandam nessa 'nega' aqui".

"Respeito todos aqui presentes. Surpreende que os senhores [hoje] não me procuraram, nem sequer citaram meu nome, entenderam que de fato não mandam nessa 'nega' aqui. Nenhum dos senhores manda", afirmou.

Eron é considerada o voto decisivo para cassar ou absolver Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pois, com a disputa equilibrada no conselho, a posição ainda não conhecida da deputada poderia levar ao desempate. Por isso, têm surgido especulações no mundo político de que ela sofreria pressões pelo voto dos dois lados da disputa no Conselho de Ética.

Nesta terça-feira (14), a deputada afirmou que vai votar "com sua consciência", mas não deu indicações de se será contrária ou favorável ao pedido de cassação de Cunha.

A comissão deve votar hoje o parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO) que pede a cassação do mandato.

"Eu não compreendo como é que depois de sete meses, os senhores homens, que não compreendem o que é gestar, por isso chamam 'cadê Tia Eron?', para resolver o problema que os homens aqui não conseguiram resolver. O meu nobre presidente [do PRB], Marcos Pereira, professor, ministro, presidente licenciado do Partido Republicano Brasileiro, me deu a liberdade e a paz para fazer esse julgamento", afirmou Eron.

Em alguns momentos, a deputada falou diretamente aos colegas que criticaram sua ausência na última sessão.

"E eu não fui abduzida, nobre deputado Marchezan", disse. Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS) usou a expressão na última reunião para indagar o paradeiro de Eron. A deputada afirmou que estava na Câmara, acompanhando a reunião pela televisão.

"Eu estava nessa Casa, e a imprensa sabe que eu estava. Assistindo por aquilo que Platão chamava do mito da caverna, pela TV, para poder olhar nos olhos de cada um. Porque os olhos, senhor presidente José Carlos Araújo, eles refletem muito mais do que a boca não tem coragem de dizer", disse Eron.

A deputada chegou sem falar com os jornalistas que a aguardavam na sala da reunião da comissão e seguiram Eron por uma curta distância nos corredores da Câmara.