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Política

Nelsinho diz que MPE foi 'induzido ao erro' e que denúncia teve caráter político

24 março 2016 - 17h03Por Airton Raes

O ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PTB), negou que tenha cometido irregularidades com a contratação de empresas de tapa-buracos, investigados na Operação Lama Asfáltica.

De acordo com ele, as denúncias tem origem política e o Ministério Público foi induzido ao erro. “São denúncias requentadas. Já foi feito um inquérito entre 2011 e 2014 sobre o assunto e o MPE arquivou. Tudo me leva a crer que o Ministério público foi induzido ao erro por ser ano eleitoral”, afirmou Nelsinho.

Nelson Trad Filho e mais 20 pessoas tiveram seus bens congelados no valor de R$ 350 milhões nesta quarta-feira (23) pelo juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), a pedido da Força Tarefa do Ministério Público Estadual (MPE/MS).

O ex-prefeito afirmou que, após denúncias de supostos tapa-buracos fantasmas, em 2011, editou uma portaria que passou a exigir a assinatura de dois moradores da rua que fosse revitalizada como testemunhas sobre o serviço prestado pela empreiteira.

Segundo ele, o MPE até instaurou o inquérito civil nº 55/2012, através da 30ª Promotoria de Patrimônio Público e Social, que colheu depoimentos de funcionários dos  envolvidos na Operação Tapa-Buracos mas, em 2014, o procedimento investigatório foi arquivado por falta de provas.

Nelson Trad ainda reiterou diversas vezes que o Ministério Público não trouxe novas denúncias do inquérito arquivado. De acordo com o ex-prefeito, as denúncias só ressurgiram por ele ser candidato a prefeito de Campo Grande. Também disse que não foi convocado pelo MPE para prestar esclarecimentos e está à disposição para esclarecer todas as acusações.

Sobre o ex-secretário de Obras João Antonio De Marco, o ex-prefeito informou que De Marco está preparando uma defesa técnica respondendo cada ponto com informações e documentos que comprovam que não houve irregularidades. “Na nossa gestão o serviço de tapa-buraco era eficiente. Não podemos responder pelas gestões que sucederam”, afirmou.

Força-Tarefa

A Força-Tarefa do MPE (Ministério Público Estadual) apresentou no dia 18 de fevereiro de 2016, um balanço parcial das investigações relacionadas às denúncias da Polícia Federal, contidas no relatório da Operação Lama Asfáltica. Como principal feito, o grupo de promotores conseguiu uma decisão judicial para bloquear R$ 84 milhões em bens dos investigados.

De acordo com a promotora Cristiane Mourão, os recursos de empresas, particulares e servidores públicos ficaram disponíveis “para garantir o ressarcimento do prejuízo causado ao Estado”. Foram apurados crimes de terceirização ilegal de serviços públicos, danos ambientais, desvios de recursos públicos e enriquecimento ilegal de políticos e funcionários do Governo.

Na primeira fase, os promotores realizaram 70 procedimentos investigativos, colheram 257 depoimentos, fizeram 237 requisições de documentos e participaram de 41 reuniões com o MPF (Ministério Público Federal), CGU (Corregedoria-Geral da União), PF (Polícia Federal) e TCE (Tribunal de Contas do Estado). No Judiciário, eles ingressaram com 18 ações e quatro recursos, que tramitam em sigilo.