O ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB) declarou hoje (10) que está tranquilo com as investigações da Operação Lama Asfáltica e enfatizou que não aparece na lista de suspeitos. “Nem parte eu sou”, destaca.
Segundo ele, todos os contratos firmados durante a sua gestão ocorreram dentro da legalidade. Sobre as possíveis irregularidades que mancham a imagem do governo peemedebista, ele aponta que faz parte da profissão.
“Todos os contratos foram feitos dentro da legalidade, da ética, da transparência e de acordo com a lei 8.666 (Lei geral das licitações). Quem se dispõe a participar da esfera pública no trabalho tem que ter plena consciência que está sujeito a enfrentar essas situações”, avalia.
Em relação às suspeitas de direcionamento das licitações durante a concorrência para o aterro sanitário da Capital, em que as participantes deveriam ter terreno próprio para receber o lixão, inviabilizando boa parte da concorrência, Nelsinho afirma que a questão já foi encerrada.
“Eu não estou com conhecimento em relação a essa operação, mas eu posso lhe garantir que a questão do aterro já foi judicializada. Teve parecer nos dois graus de que todo o processo ocorreu dentro da legalidade, então estou absolutamente tranquilo”, afirma.
O ex-prefeito também garante que não conversou com nenhum dos alvos da PF (Polícia Federal) e só possui conhecimento superficial sobre as investigações.
Investigações
A Operação Lama Asfáltica, deflagrada na manhã de ontem (9), investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Até o momento, a polícia estima prejuízos de R$ 11 milhões aos cofres públicos sobre o montante fiscalizado, que soma R$ 45 milhões.
A ação da PF (Polícia Federal) em conjunto com a Receita Federal, a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, em residências e empresas dos investigados.
Foram vistoriadas as casas do ex-secretário municipal de administração, José Antônio de Marco, do ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto, as propriedades do empresário João Amorim e a sede da Seinfra (Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura)/ Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos).
De acordo com a Receita Federal, as investigações começaram a dois anos, quando foram detectados indícios de que importante empresário de Mato Grosso do Sul e diversas pessoas ligadas a ele corromperiam servidores públicos, fraudando licitações e desviando recursos públicos.
Dentre as ações do suposto grupo criminoso consta o direcionamento de licitações a empresários ligados à organização, os quais recebiam valores supostamente superfaturados e repassavam parte dos lucros a servidores coniventes envolvidos. Também foram identificadas vultosas doações para campanhas de políticos.
O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas identificadas durante as investigações. Participaram da operação 28 servidores da Receita Federal, 84 policiais federais e 13 servidores da Controladoria Geral da União.
Além de documentos, foi apreendida uma obra de arte e mais de R$ 747,9 mil, em moedas nacionais e estrangeiras. Leia mais aqui. O governo do Estado declarou que foram recolhidos documentos da administração anterior e o ex-governador André Puccinelli (PMDB) informou que não pretende se pronunciar sobre o assunto. Veja aqui.







