O ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), recebeu R$ 586 mil das empresas investigadas pela Operação Lama Asfáltica durante a campanha eleitoral para governador, realizada em 2014. As doações chegaram através do Diretório Regional do PMDB e foram repassadas para diversos candidatos.
Conforme as informações contidas na prestação de contas apresentadas ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral), a Proteco Construções Ltda doou a quantia de R$ 386 mil e a LD Construções Ltda repassou R$ 200 mil, sendo uma parcela de R$ 190 mil e outra de R$ 10 mil.
A partir desses valores, Nelsinho doou para a campanha do deputado federal Carlos Marun (PMDB) um cheque de R$ 10 mil, que recebeu da LD Construções, e mais R$ 10 mil para o então peemedebista Marçal Filho (PSDB).
Conforme a reportagem apurou, também receberam recursos provenientes da LD Construções os candidatos Daltro Fiuza (R$ 5 mil), Maicon Cleython Rodrigues Nogueira (R$ 5 mil), Silvio César Soares Dos Santos (R$ 10 mil), Antonio Luiz Teixeira Empke Junior (R$ 10 mil), Gean Carlos Volpato (R$ 10 mil) e Mariza Andrade Rocha (R$ 10 mil).
Além deles, foram beneficiados os candidatos Nelson Mauro Sodario De Oliveira (R$ 5 mil), Alvaro Soares Dos Santos (R$ 5 mil), Rafael Alves Cordeiro (R$ 5 mil), Keliana Fernandes Mangueiras (R$ 5 mil), Roberto Alves Pereira (R$ 5 mil), Sandro Luiz Mongenot Santana (R$ 5 mil) e Sergio Alexandre Da Silva (R$ 5 mil).
Outras doações
Irmã do empreiteiro Alberto Krampe Amorim dos Santos, a deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB) recebeu mais de R$ 1,4 milhão, durante a campanha eleitoral, da Proteco Construções Ltda. A parlamentar recebeu sete depósitos através de transferências eletrônicas nos valores de R$ 328.506,00; R$ 375.791,46; R$ 132.174,32; R$ 84,45 mil; R$ 120,87 mil; R$ 250 mil e R$ 161 mil.
O empresário João Amorim ainda doou a quantia de R$ 17 mil como pessoa física, no dia 31 de julho de 2014. No total, a deputada arrecadou R$ 2.746.305,78, sendo uma das campanhas mais caras para chapa proporcional em Mato Grosso do Sul. Leia mais aqui.
Investigações
A Operação Lama Asfáltica, deflagrada na manhã de ontem (9), investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Até o momento, a polícia estima prejuízos de R$ 11 milhões aos cofres públicos sobre o montante fiscalizado, que soma R$ 45 milhões.
A ação da PF (Polícia Federal) em conjunto com a Receita Federal, a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, em residências e empresas dos investigados.
Foram vistoriadas as casas do ex-secretário municipal de administração, José Antônio de Marco, do ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto, as propriedades do empresário João Amorim e a sede da Seinfra (Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura)/ Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos).
De acordo com a Receita Federal, as investigações começaram a dois anos, quando foram detectados indícios de que importante empresário de Mato Grosso do Sul e diversas pessoas ligadas a ele corromperiam servidores públicos, fraudando licitações e desviando recursos públicos.
Dentre as ações do suposto grupo criminoso consta o direcionamento de licitações a empresários ligados à organização, os quais recebiam valores supostamente superfaturados e repassavam parte dos lucros a servidores coniventes envolvidos. Também foram identificadas vultosas doações para campanhas de políticos.
O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas identificadas durante as investigações. Além de documentos, a polícia apreendeu durante as buscas uma obra de arte e mais de R$ 747,9 mil, em moedas nacionais e estrangeiras. Leia mais aqui.







