A política é a arte do possível, segundo Otto Von Bismarck, a campanha eleitoral é a arte da guerra. Na guerra, a primeira vítima é a verdade. Muito se têm criticado, não os religiosos na política, mas aqueles que usam de sua religiosidade para manipular seus irmãos de fé, conspurcando uma e outra. O mesmo se pode dizer do jornalismo a serviço deste ou daquele candidato. Se o jornalista quando assume qualquer assessoria de comunicação afasta-se, mesmo que momentaneamente, da ação jornalística de observação, crítica e análise, isso não cabe quando se trata de órgão de imprensa, o veículo, o jornal em suas diversas modalidades.
Os jornais e seus profissionais podem, sim, incorrer em erros, afinal a crítica e a análise carregam consigo toda uma personalidade forjada no meio social. Por mais ampla que possa ser essa crítica, ela sempre será um lado da questão. Mas o político é uma pessoa pública e deve se sujeitar a foco das atenções. E mais, seus atos e decisões influem diretamente na vida do cidadão e definem rumos futuros.
Mas somos, nós também, população, seres políticos com posições pré-estabelecidas. Portanto: “É verdade que existem vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados,” como bem ponderou Hubert H. Humphrey, presidente dos Estados Unidos da América.
Fim da Lei de Imprensa
Um dos mais devastadores resquícios da Ditadura que nos roubou o país a partir de 1964, a Lei de Imprensa, ou lei do amordaçamento, foi enfim enterrada. Tardiamente, mas enterrada. No entanto não foram anuladas as responsabilidades que cabem a cada órgão de imprensa e a cada jornalista. Parece que ainda não nos acostumamos.
A irresponsabilidade não deve permitir o poder de imprensa a um obcecado, pois ele tem a razão ofuscada, obscurecida e persiste num erro por intransigência e teimosia. Manda o bom senso que, ao se lançar à política, faça como os assessores de comunicação, que se licenciam do jornalismo. Não é o que se vê. Parecem esquecer que o fim de uma lei que tolhia a imprensa e era muito mais ampla e segregadora, não implicou no fim da Ética Jornalística, assim grafada, em maiúscula.
Existem duas vertentes a serem analisadas e pesadas pelos eleitores/leitores. O jornalista que usa de seu veículo como um braço político em sua constante campanha para quais cargos concorra, na condição de elegível ou para galgar outros cargos que não lhe peçam votos, como suplências ao Senado e Vice de cargos executivos; ou a aqueles cargos que dependam do voto. Uma e outra perigosa, insana, imoral.
Mas, infelizmente, jornalistas e eleitores alimentamos o pior da política, pelo apoio desmedido ou pelo voto. Nunca gratuitamente, sempre em busca de algo para nós mesmos. Ao fazermos isso, não somos diferentes daqueles que ajudamos a eleger.
Parte da imprensa, não fosse a vaidade pessoal de alguns, se escora nos lucros que proporcionam os governos. De uma forma geral, os governantes confundem transparência com propaganda. As obras e feitos são divulgados como mais uma mercadoria a ser consumida pela população e esta divulgação é cara. É neste momento que alguns empresários das comunicações deixam a ética sob suas mesas e saem em busca de vender espaços. Ai acaba a responsabilidade de um e de outro.
Bem-vindo o Direito de Resposta.







