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Política

Nervosa, empresária diz não se lembrar de cargo ocupado na prefeitura

27 novembro 2015 - 16h51Por Amanda Amaral e Dany Nascimento

Em depoimento ao TJ, Anny Cristina Sales não convenceu a defesa de Olarte ao explicar sobre sua relação entre o prefeito afastado e Bernal. Primeira a prestar depoimento no período da tarde ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), Anny Cristina Silva Nascimento Sales, que tinha cargo na Prefeitura Municipal e relação pessoal com outras testemunhas, se contradisse em diversos momentos de sua fala.


No momento do juramento, o advogado de Olarte, Jail Azambuja, fez uma observação ao desenbagador, Luiz Claudio Bonassini, de que Anny teria feito contato com outra testemunha, Marly, que depôs pela manhã. Ela confessou que almoçou com a ex-secretária, que disse ser sua amiga muito próxima, ‘quase irmãs’. O desembargador então fez uma readvertência e seguiu os procedimentos.


Ela afirmou que é empresária e jornalista, mas foi candidata a vereadora em 2008 e 2012 pelo PSL e inclusive teria sido apoiada pelo ex-deputado Edson Giroto em suas campanhas.


Questionada pelo Promotor Marcos Alex Vera de Oliveira sobre seu vínculo com o prefeito afastado, Gilmar Olarte (PP por liminar), ela respondeu que ambos se conhecem apenas superficialmente, pois o encontrava nos corredores da rádio em que trabalhava e também atravésde amigos em comum na igreja Adna (Assembleia de Deus Nova Aliança). Já Ronan Feitosa seria seu ‘conhecido’ há quase 20 anos, também através da igreja. 

Com Marly, a relação era mais próxima. Segundo Anny, a amiga teria começado a entrar em depressão e, sob pressão, a confidenciou a situação que a deixava abalada. Marly teria dito que estava sendo ameaçada por agiotas por emprestar os cheques em branco à Olarte e Ronan, e que homens estavam indo em sua casa realizar ameaças a ela e seu filho. Anny então teria sugerido que a mesma procurasse a polícia para denunciar a situação.


O advogado de Olarte então questionou a empresária sobre o cargo que ocupava na Prefeitura durante a primeira gestão de Bernal, nomeada em dezembro de 2013, e de um suposto cargo também no gabinete do ex-vereador Alceu Bueno. Ela disse que, de fato, tinha um cargo no gabinete de Bueno, mas que abandonou a função quando ele perdeu a campanha para deputado, em 2014. Sobre o cargo na Prefeitura, Anny revelou nem ao menos saber o nome de sua ocupação e nem por quanto tempo permaneceu trabalhando, mas que foi contratada ‘diretamente por Bernal para fazer trabalhos sociais’ e que pediu para sair após sua filha ficar doente.


Em primeiro momento, ela respondeu ser amiga do atual prefeito, quando Jail lembrou sobre seu depoimento anterior, no ano passado, em que dizia que Bernal teria prometido a vaga e uma ajuda para quitar dívida de aproximadamente 65 mil reais. Aparentemente nervosa, ela disse que o fato nunca aconteceu e, logo depois, entrou em contradição ao relatar que teria sido Olarte quem sugeriu a ela a procurar o então candidato a prefeito para conseguir um cargo dentro da administração municipal.


Dentro da prefeitura, ela disse que tinha ‘quase nenhum’ contato com Bernal, mas que tinha conhecimento que ele desconfiava de uma armação com a participação dos vereadores contra seu mandato.


O advogado relembrou uma ligação entre ela e Marly, uma das provas utilizadas pelo Ministério Público Estadual nas investigações, em que conversavam sobre uma suposta ‘divisão do dinheiro que iriam ganhar’ e também sobre os valores que cada vereador receberia caso entrasse no esquema. Anny respondeu que o diálogo se tratava de uma brincadeira e que o dinheiro citado era na verdade do filho de Marly, mas que quando falaram sobre os parlamentares era “apenas um comentário entre amigas, de um assunto que rolava na época”.

Julgamento
A audiência de julgamento acontece desde a manhã desta sexta-feira (27). Já prestaram depoimento o empresário Paulo Telles, a secretária Marly Deborah Pereira, Salem Pereira Vieira e o ex-prefeito Alcides Bernal. O ex-governador André Puccinelli (PMDB) esteve na sede do TJ-MS, mas foi dispensado pela defesa e não precisará participar do julgamento. Já Nelsinho Trad (PTB) apresentou um atestado médico.


Olarte e Ronan são investigados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crime de estelionato. Segundo as investigações, eles atuavam “fazendo ofertas de ajuda política, empregos futuros e outras participações no executivo municipal” para obter “cheques bancários, que passaram a descontar com agiotas ou em factorings [compra de ativos financeiros], deixando sem fundos as respectivas contas bancárias, causando prejuízos aos seus titulares”.