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Política

No furacão da Lava Jato, JBS doou quase R$ 1 milhão a parlamentares de MS

07 março 2016 - 07h00Por Izabela Sanchez
No furacão da Lava Jato, JBS doou quase R$ 1 milhão a parlamentares de MS

A JBS, uma das maiores corporativas mundiais da indústria de alimentos, envolvida na Operação Lava Jato e acusada pelo Ministério Público Federal de realizar empréstimos ilegais, contribuiu com campanhas de pelo menos seis conhecidos políticos regionais. Nas últimas eleições, a empresa doou a parlamentares de Mato Grosso do Sul quase R$ 1 milhão, entre então candidatos a deputados federais e ao Senado.

O deputado federal Geraldo Resende (PMDB), pré-candidato a prefeitura de Dourados pela sigla, lidera a quantia de doações. Ele recebeu R$ 450 mil da JBS. De acordo com a prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado recebeu R$ 150 mil por doação direta da empresa. Ainda segundo o TSE, parte do dinheiro foi repassada por intermédio da senadora Simone Tebet (PMDB), no valor de R$ 150 mil, e o resto da quantia através da direção nacional do partido.

A senadora também recebeu e intermediou doações da JBS a outros parlamentares. Ela recebeu R$ 103 mil de repasses da corporativa na corrida eleitoral de 2014. Desse total, RS 53 mil por intermédio do ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho (PTB). Simone também intermediou doações para o deputado federal Carlos Marun (PMDB), no valor de R$ 50 mil, e para a deputada federal Teresa Cristina (PSB) no mesmo valor.

Carlos Marun e Teresa Cristina receberam da JBS um total de R$ 103 mil cada um. Além dos repasses de Simone Tebet, Nelsinho Trad também intermediou doações.

O deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) recebeu a segunda maior quantia da JBS, em comparação com outros parlamentares, totalizando R$ 170 mil. O dinheiro foi repassado por intermédio do Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República. As doações recebidas por todos os parlamentares citados totalizam R$ 929 mil.

Lava Jato e CPI do BNDES

A Lava Jato tem buscado esquemas de corrupção e propina envolvendo a Petrobras e outros órgãos do governo federal em benefício de políticos e corporativas privadas. A operação também se voltou ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e pode chegar até as portas da JBS. De acordo com as informações do InfoMoney, no final de 2015 as ações da empresa já começaram a cair com o anúncio de que a operação investigaria o banco. A JBS e suas marcar têm grande representação junto ao BNDES.

Já a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do BNDES, instalada na Câmara dos Deputados em agosto de 2015, que encerrou os trabalhos no último dia 25, também fez com que as ações da corporativa caíssem na Bolsa. Conforme o Infomoney, no dia 23 a JBS perdeu em ações de investidores estrangeiros por conta da CPI. O relatório final ainda não foi divulgado.

O TCU (Tribunal de Contas da União), afirmou em auditoria realizada no final de 2015, que a JBS foi favorecida em empréstimos junto ao BNDES. De acordo com o jornal Globo e a revista Exame, apenas uma das operações realizadas em 2008 junto a JBS renderam um prejuízo de R$ 614 milhões ao banco. Apesar de ainda não serem conclusivas, as investigações do TCU, a pedido da CPI da Câmara, indicam que há indícios de danos ao BNDES, além de não ter encontrado elementos que possam afirmar o benefício dos empréstimos para a sociedade ou para o Brasil como um todo. A corte avaliou a aquisição das empresas norte-americanas Swift Foods & Co.; Smithfield Beef e National Beef; e Pilgrins Pride. 

Mais acusações

Segundo documento do Ministério Público Federal, divulgado em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, em 2011 os investigados fizeram concessões de empréstimo ilegais, as “troca de chumbo”, que infringem as Leis 4.595/64 (artigo 34) e 7.492/86 (artigo 17). A prática envolveu uma quantia de R$ 80 milhões. Entre os réus estão o presidente do Conselho da JBS, Joesley Mendonça Batista, e João Heraldo dos Santos Lima, do Banco Rural.

A acusação do MPF explica que o Grupo JBS é composto por 35 empresas, entre elas o Banco Original do Agronegócio, a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza . A J&F Participações é a empresa controladora das outras duas. Já o Banco Rural tinha como controladora, à época, a empresa Trapézio S.A.

Segundo as investigações, em 22 de dezembro de 2011, a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza obtiveram R$ 80 milhões em empréstimos do Banco Rural, um dia depois de abrirem contas correntes na instituição. A quantia total de R$ 79,3 milhões, com descontos, foi imediatamente transferida para as contas da J&F e da Flora no Banco Original, que também faz parte do Grupo JBS.

Quatro dias depois, de acordo com o MPF, a empresa Trapézio S.A., controladora do Banco Rural, recebeu empréstimo no mesmo valor, R$ 80 milhões, ao firmar contrato com o Banco Original, que foi responsável por emitir a nova operação de crédito. Após os abatimentos legais, o valor de R$ 79,2 milhões foi transferido para a conta da Trapézio no Banco Simples, outro componente do Conglomerado Financeiro Rural.

“A maliciosa arquitetura das operações foi planejada e posta em execução em duas frentes. Pela J&F e Banco Original, atuaram Joesley e Antônio, respectivamente presidente e diretor financeiro da J&F e Emerson e José Eduardo, respectivamente presidente e vice-presidente do Banco Original. Pela Trapézio e Banco Rural atuaram Kátia, presidente da Trapézio e acionista do Banco Rural; Plauto, vice-presidente da Trapézio e administrador da Tratex Construções e Participações S.A., João Heraldo, presidente do Banco Rural; Vinícius, vice-presidente do Banco Rural e Wanmir, diretor financeiro do Banco Rural”, explica o documento, assinado pelo procurador da república Sílvio Luís Martins de Oliveira.

São réus os presidentes do Conselho do JBS, Joesley Mendonça Batista, e João Heraldo dos Santos Lima, do Banco Rural, o diretor financeiro da J&F, Antonio José Barbosa Guimarães, o presidente do Banco Original, Emerson Fernandes Loureiro, seu vice, José Eduardo Tobaldini Jardim, a presidente da Trapézio S.A., Kátia Rabello, seu vice, Plauto Gouveia, o vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane, e o diretor financeiro da instituição, Wanmir Almeida Costa.