O ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, do PMDB, pode estar com o seu futuro político comprometido após ser apontado pela Controladoria-Geral da União, junto com o primo, o deputado federal democrata Luiz Henrique Mandetta, como responsável pela não eficácia do Gisa (Gerenciamento de Informações em Saúde), que custou R$ 10 milhões aos cofres públicos, mas nunca funcionou na Capital.
O sistema foi criado para melhorar o atendimento da Saúde, entre verbas do Governo federal e do município. Agora, após determinação, a administração terá que devolver R$ 8 milhões para ao Ministério da Saúde, parte que foi paga pela União.
Mesmo afirmando não ter responsabilidade sobre o caso e transferindo o encargo para as duas administrações progressistas, de Alcides Bernal e Gilmar Olarte, o escândalo o deixa mais enfraquecido no meio político. Já durante às eleições de 2014, Trad Filho não teve apoio unânime dentro do próprio partido e correntes chegaram a manifestar apoio publicamente ao então candidato petista, senador Delcídio do Amaral.
Outro fato que deixou a sua candidatura enfraquecida foi a falta do apoio da principal liderança dentro do PMDB, o ex-governador André Puccinelli. Durantes as eleições, o ex-chefe do Executivo se manteve neutro, poucas vezes esteve junto com Nelsinho e quando pedia voto era exclusividade para a sua afilhada política - Simone Tebet, eleita senadora.
Vale lembrar que com o fim do seu mandato se aproximando na época, Puccinelli deixou os seus aliados livres para apoiarem outros candidatos. Muitos apostaram no senador Delcídio que era apontado para vencer às eleições e apostaram no petista. Enquanto isso, Nelsinho teve a sua candidatura ventilada.
Dentro do partido, Nelsinho permaneceu isolado. Em discursos chegou a manifestar o descontentamento com colegas peemedebistas que não o apoiaram. O ato de desespero, ainda nas eleições, ocorreu durante a convenção para lançá-lo candidato. O local usado de forma estratégica ocorreu no plenário da Câmara Municipal, uma vez que o espaço é pequeno, onde reuniu cabos eleitorais, assessores e servidores para dar volume e passar a sensação de grande mobilização.
Em comparação aos eventos que ocorreram na Casa de Leis em 2014, o público durante a cassação do ex-prefeito Alcides Bernal foi maior em relação a convenção de Nelsinho na época.
Novas denúncias - Para piorar a situação do ex-prefeito, na última sexta-feira (23), o Ministério Público Federal denunciou Trad Filho, junto com mais sete pessoas e mais a empresa Anfer Construções, por improbidade administrativa. O caso foi aceito pela Justiça Federal e agora segue tramitando.
Nelsinho é suspeito de participar de esquema corrupção, e desta vez, pode responder pelos crimes de fraude, superfaturamento, pagamento indevido e autorização ilegal de uso do aterro Sanitário Dom Antônio Barbosa II, na Capital. O ex-prefeito nega envolvimento.
Como se não bastasse, ao apagar das luzes da sua gestão, Nelsinho assinou o contrato milionário com a empresa Solurb, concessionária responsável pelo lixo de Campo Grande. Há suspeitas de irregularidades na renovação de contrato de prestação de serviço da empresa, que era de R$ 4,3 milhões e passou para R$ 9 milhões na administração do prefeito Gilmar Olarte (PP). Para investigar as suspeitas de irregularidades, a Câmara deve chamar Nelsinho, para comentar a situação.
Futuro político - Tanto no Gisa quanto na nova denúncia do MPF sobre o uso do aterro sanitário, Nelsinho pode ser penalizado se for provado possível envolvimento do ex-prefeito. Caso seja constato, corre o risco de ficar inelegível. A sua situação política dentro do PMDB também permanece uma incógnita, já que a sua candidatura foi rejeitada e não decolou em 2014.







