Um ano depois de assumir a prefeitura da Capital, Gilmar Olarte (PP) ainda passa por ajustes no primeiro escalão e sobrecarrega seu braço direito na administração, o secretário de obras Valtemir Alves de Brito, conhecido como Kako. O homem de confiança do governo é chamado de "supersecretário" dentro da Câmara Municipal, e criticado até mesmo no alto escalão do Executivo
A falta de autonomia dos demais secretários é alvo de constante reclamação dos vereadores e ficou evidenciada após a saída da diretora-presidente da Fundac (Fundação Municipal), Juliana Zorzo, que não resistiu à pressão dos artistas e pediu demissão do cargo na semana passada.
Em sua despedida, Juliana ressaltou que enviou as solicitações para o pagamento da dívida referente aos editais do Fmic (Fundo Municipal de Incentivo a Cultura), no valor de R$ 4 milhões, para a secretaria de administração, mas não obteve retorno. “A Fundac não possui o recurso. Dependemos exclusivamente da prefeitura, se eles não pagarem, não temos porque continuar à frente da Fundação”, declarou.
Para o presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB), a centralização do poder em um "supersecretário" é visível em diversas ocasiões. Enquanto Kako acumula funções, o secretário de governo Rodrigo Pimentel, que seria responsável por intermediar as conversas entre o Executivo e o Legislativo, fica apagado na administração.
“Na reunião (ocorrida dia 5), quando eu suspendi a sessão para ele (Olarte) receber o pessoal da cultura, quem apareceu? O Kako que teve que se deslocar lá da Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação). Semana passada, o pagamento de funcionários do Proinc (Programa de Inclusão Profissional), que são contratos pela Secretaria de Assistência Social, atrasou e o Kako que foi chamado para resolver”, aponta.
Homem de confiança de Olarte, Valtemir de Brito foi nomeado inicialmente para chefiar a secretaria de administração. No entanto, com uma crise instalada na Seintrha após o pedido de exoneração de Semy Alves Ferraz, ele foi deslocado para a pasta de obras para substituir a secretária interina, Kátia Castilho.
A mudança foi bastante criticada pelos vereadores que destacaram o caráter técnico da autarquia que conduz todas as obras de Campo Grande. Administrador, Caco enfrenta dificuldades para explicar as denúncias sobre “buracos fantasmas” e terá que prestar contas aos vereadores pela terceira vez na segunda-feira passada (14).
Mario Cesar afirma que Olarte “sobreviveu” seu primeiro ano, considerando as dificuldades encontradas no início de sua gestão, mas que ele precisa mudar seu comportamento, pois os demais secretários permanecem “a mercê da sorte”. “Ele esta centralizando muito e não dá autonomia para os secretários. Ele continua sem uma secretaria de governo forte com poder de ação”, completa.







