A informação de que o prefeito Gilmar Olarte (PP) e o secretário de governo, Rodrigo Pimentel, planejam chamar a atenção da base aliada para uma atuação mais proativa na Câmara Municipal desagradou os vereadores.
Eles argumentam que o Executivo não faz por merecer e que não vão ‘defender o indefensável’, uma vez que a população campo-grandense está descontente com os buracos nas ruas, as obras paralisadas e a falta de segurança.
A insatisfação respingou no líder do prefeito, vereador Edil Albuquerque (PMDB), que também foi acusado de letargia. Além disso, os vereadores argumentam que o peemedebista possui o cargo, mas não recebeu a autonomia necessária para fazer a interlocução entre o Executivo e o Legislativo.
“O Edil tem que cumprir a função dele para depois cobrar. Quando as minhas demandas e as minhas emendas forem atendidas não vai precisar de ninguém me chamando a atenção. O Edil, apesar de ser uma boa pessoa, não está sendo respeitado pelo Executivo. Chega processo na Casa que ele só fica sabendo um dia depois”, afirmou Carlão (PSB), em sessão itinerante da Câmara Municipal, realizada na manhã desta terça-feira (10).
Segundo o vereador, Edil também é desrespeitado pelo primeiro escalão da administração progressista, tendo ligações ignoradas e solicitações não atendidas. Como exemplo, Carlão aponta que necessitaria uma palavra do líder para responder a 13 famílias que correm o risco de despejo na Vila Marli, mas vai ter que negociar diretamente com a pasta envolvida.
Pelo PSD, o vereador Chiquinho Telles já se considera independente da base aliada. Ele argumenta que o prefeito faz muitas promessas de mudança, mas continua cometendo os mesmos erros, ignorando os conselhos da Câmara e dificultando o diálogo.
“Os vereadores estão fazendo a sua parte, mas o prefeito tem que mostrar a que veio. Nem o líder usa a tribuna para defender o Olarte. Vereador não está aqui para dizer amém a tudo que a prefeitura envia, temos que fiscalizar, ver o que é melhor para a população de Campo Grande. Quem quer cobrar tem que fazer a lição de casa, antes de dar puxão de orelha”, diz.
Airton Saraiva (DEM) considera a iniciativa de reunir os aliados para afinar o discurso positiva, mas destaca que o líder do prefeito está com sobrecarga de funções. Segundo ele, parte da insatisfação está relacionada a alguns cortes que Olarte promoveu, retirando concessões feitas a vereadores.
Entretanto, Saraiva crítica a condução da interlocução entre os dois poderes e sugere, inclusive, a indicação de um vice-líder. Para ele, Olarte erra ao limitar a autonomia do secretário de governo e Rodrigo Pimentel também não se impõe como segundo homem em comando da administração. “Foi um ano com muito intermediário e não podemos ter isso em um governo que quer planejar a cidade”.
O outro lado – Massacrado pelos colegas, Edil Albuquerque alega que retornou à Câmara Municipal com o objetivo de articular para a aprovação de 110 projetos de desenvolvimento econômico, com doação de áreas e concessão de isenções para empresas que desejam se instalar na Capital, e acabou deixando a parte política do cargo de lado.
“Acho que depois dessa semana, na outra, acabam os projetos e eu fico livre para fazer a interlocução política. Como eu posso ter autonomia se eu não estava colocado como agente político? Eu tinha que me identificar como líder, mas o meu objetivo era outro”, argumenta.







