A ONG (Organização Não-Governamental) Grupo Onça Pintada, associação civil fundada pelo deputado estadual Paulo Corrêa (PR), apresentou ontem (5) documentos que comprovam a operação de compra e venda de um micro-ônibus Mercedez-Benz adquirido do grupo Rede, que gerenciava a Enersul.
O informativo da instituição foi enviado após as denúncias do Sinergia-MS (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Comércio de Energia de Mato Grosso do Sul) de possível favorecimento ilícito do deputado Paulo Corrêa quando este era presidente da primeira CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre irregularidades na concessionária.
O presidente da ONG, Rodrigo Machado, mostra uma nota fiscal de venda com data de 14 de junho de 2010, com a descriminação e o valor pago pelo veículo, feito com cheque do Bando Brasil, estipulado em R$ 44.980,00. “Nós compramos este veículo três anos depois do encerramento da CPI da Enersul, conforme comprova a documentação,” garantiu.

Nota fiscal comprova a compra do veículo - Foto: Divulgação/Assessoria
Em nota, Rodrigo acusa o presidente do Sinergia, Elvio Marcos Vargas, de manchar o nome do deputado através de mentiras. “Ele nos acusou de ter recebido o ônibus em doação da concessionária numa obscura tentativa de criar uma fictícia e inverídica ligação com os trabalhos que eram conduzidos pela então CPI da Enersul,” enfatizou.
Pelo texto, o presidente do Grupo Onça Pintada ainda destaca que a primeira investigação ocorreu em 2007 e resultou na devolução de R$ 181 milhões para os usuários do serviço através de redução na tarifa de energia elétrica. Em contraponto, omicro-ônibus foi adquirido somente em 2010, três anos depois.

Cópia do Renavam do veículo - Foto: Divulgação/Assessoria
Por último, Rodrigo explica que a entidade fundada em 2001 já esteve em 56 cidades, realizou cerca de 50 mil atendimentos, 1.200 cirurgias de mama e 6.450 exames de mamografia e ultrassonografia. “Nossa ação acontece nos bairros mais carentes, nas empresas, em todos os lugares onde possamos ajudar as mulheres no combate e prevenção a esta terrível doença,” concluiu.
O Caso
Segundo o secretário-geral do Sinergia-MS, Natael Cavalheiro, a Enersul teria doado um micro-ônibus, placa HRU-8433, para o Grupo Onça Pintada na mesma época em que o Paulo Corrêa presidiu a primeira investigação sobre a empresa em 2007.
“Recebemos essa denúncia de trabalhadores da Enersul. Era um ônibus que a Enersul atendia às escolas e à comunidade com informações sobre o consumo de energia, demonstradas através de um modelo de residência, e funcionava como uma miniagência. O veículo adquirido através de uma parceria com o Governo Federal teria sido doado para a ONG que ele trabalhava. É muito coincidência isso ocorrer na época da outra CPI”, relata.
Para o diretor do Sinergia-MS, Aldo Aristimunho, o trabalho da instituição é nobre, mas o favorecimento do deputado levanta suspeitas sobre sua atuação à frente da segunda investigação de desvios de dinheiro na concessionária. Ainda de acordo com ele, o trabalho realizado pela Enersul de atendimento à população foi interrompido após a doação do veículo.
“Onde está o ônibus que era de utilidade pública? Ele ia às ações globais, ia às escolas mostrar para as crianças como era utilizada a energia dentro da casa e sem explicação nenhuma foi para essa ONG. Ele viajava o Estado inteiro pelo projeto de eficiência energética. Falaram que iriam comprar outro, mas não compraram. Eles utilizavam funcionários para ajudar, informando, fazendo parcelamento das contas e uma equipe de eletricistas acompanhava para fazer o atendimento na hora”, relata.
Outras polêmicas
Esta é a segunda polêmica envolvendo os membros da CPI. Em abril, a informação de que o ex-diretor da Enersul, Valter José Bortoletto, é chefe de gabinete do relator da comissão, deputado estadual Beto Pereira (PDT), também abalou a credibilidade das investigações.
Bortoletto foi funcionário da Enersul por 30 anos e era responsável pelo relacionamento da empresa com o Poder Público. Já Beto Pereira é filho do último presidente da Enersul antes da privatização, o ex-senador Valter Pereira (PDT).
Na época, o deputado justificou que Bortoletto foi demitido injustamente da concessionária de energia e entrou com representação na justiça contra a empresa. Também afirmou que não estava a serviço de A ou B, mas sim para legislar e fiscalizar o dinheiro do contribuinte.
Até o momento, a CPI divulgou o nome de 38 pessoas envolvidas no esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 700 milhões da Enersul, através de folhas de pagamento paralelas e distribuição de ‘bonificações’ para ex-funcionários. Ao contrário do que foi divulgado anteriormente, as investigações apontam que não houve envolvimento de políticos.







