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quinta, 20 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Operação que prendeu doleiros deve atingir também investigados na Lama Asfáltica

Em troca de incentivos fiscais, empresa pagava propina com moeda americana, segundo inquérito da PF

04 maio 2018 - 09h28Por Celso Bejarano

Operação da Polícia Federal, Câmbio, Desligo, desdobramento da Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira (3), com a prisão de 45 pessoas, embora tenha atingido cinco regiões do Brasil, além do Uruguai e Paraguai, pode abarcar também nas investigações os crimes financeiros praticados em território sul-mato-grossense que envolvera políticos, servidores e empresários.

A investida policial tem a ver com movimentações ilegais de dólares, em empresas de offshores (aquelas instaladas em nações com menor tributação).

Pelas investigações da PF, que conta com parceria do Ministério Público Federal, o foco da apuração no âmbito da operação Câmbio, Desligo, é a Lava-Jato no Rio de Janeiro.

Contudo, a investigação, que atingiu nesta fase Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, pode, de algum modo, envolver uma das maiores operações policiais  impostas aqui em Mato Grosso do Sul, a que ficou conhecida como Lama Asfáltica.

Deflagrada em julho de 2015, a operação desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações promovidas pelo Estado e superfaturamento de obras.

Numa das fases da investigação, a PF descobriu que a JBS, empresa encrencada na Lava-Jato, pagava propina ao governo estadual, no período de 2007-2014, por incentivos fiscais.

Remessas de dinheiro - moeda real e também dólares - eram trazidas para cá e distribuídas a integrantes do esquema. E os dólares surgiam por meio de uma trama que existe no Brasil desde a década de 1980. A moeda americana transitava pelo país, ia para o exterior e retornava sem o crivo das instituições financeiras. 

A vinda de dólares para ser trocados por incentivos fiscais fica evidente por meio do inquérito da Polícia Federal, em trecho que trata de um diálogo travado entre delegados federais que atuam em Campo Grande com delatores ligados ao comando da JBS.

O inquérito em questão, o de número 109/2016-SR/DPF/MS, endereçado a 3ª Vara Federal, de 156 páginas, entregue na 3ª Vara Federal, em 25 de setembro do ano passado, o qual o TopMidiaNews teve acesso e que resultou na prisão do ex-governador André Puccinelli, do MDB, em novembro, dois meses depois, narra as tratativas da propina paga em dólares.

No trecho que aparece logo abaixo, os depoimentos envolvem os delegados Marcos André Araújo Damato e Cleo Mazzoti e pessoas ligadas a JBS, como Florisvaldo Caetano de Oliveira, ex-conselheiro da empresa. Na conversa é citado nomes como os empresários da área de informática, João Baird e Antônio Celso Cortez e Ivanildo Miranda, pecuarista em MS.

Veja os trechos que falam dos dólares. E dois dos doleiros detidos na operação Câmbio, Desligo, têm ligação com a JBS, segundo os investigadores.

Francisco Muñoz e Raul Pegazzano operaram recursos ilegais em nome da empresa, segundo o Ministério Público Federal.
Veja o diálogo que fala dos dólares