O legislativo, de uma maneira geral e em todo o país, está desgastado perante a opinião pública. Não que isso importe no momento dos eleitores depositarem seus votos que, pelos mais diversos motivos, elegerão os deputados. Mas os vereadores campo-grandenses estão em situação mais delicada após o desgaste sofrido com o processo de cassação de Alcides Bernal e, principalmente com a encenação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deveria apurar os desvios da Saúde.
Motivada a dar uma satisfação à sociedade, depois da Operação Sangue Frio, desencadeada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), a CPI indiciou apenas o médico Adalberto Siufi, o empresário Blener Zan, ambos ex-diretores do Hospital do Câncer Alfredo Abrão; José Carlos Dorsa, ex-diretor do Hospital Universitário, Eva Glória Siufi, médica, irmã de Siufi e Luiz Felipe Terrazas, ex-presidente do Conselho Curador do Hospital do Câncer.
Fizeram parte da CPI os vereadores Flávio César (PT do B), Carla Stephanini (PMDB), Coringa (PSD), Cazuza (PP) e Alex do PT (PT). Nenhum agente político foi indicado, o indiciamento caiu no esquecimento do público, os vereadores, hoje, dizem que o assunto está encerrado. Resta saber se ao lançarem seus nomes para a disputa, eles responderão a estes e outros questionamentos que deverão ser feitos pela imprensa livre.
Foram meticulosos na análise das contas do governo Bernal, não que devessem agir de outra forma, afinal o ex-prefeito foi pelo menos imprudente e inoperante em centralizar as ações e principalmente as decisões administrativas. Cometeu erros, sim, que na visão dos analistas políticos seriam perfeitamente corrigíveis pelo Tribunal de Contas de Estado, mas que por contar com o agravante da falta de diálogo e colaboração com o poder legislativo ganharam outros contornos.
A imagem que ficou para os defensores de Bernal, da obediência às normas democráticas e aos que, mesmo desconhecendo os caminhos da política partidária não conseguiram entender o desprezo ao seu voto, foi de uma ação golpista.
Portanto, para que sejam eleitos, vereadores que se lançarem à disputa aos cargos de deputados estaduais e federais, precisarão mais que as vultosas verbas, necessárias para uma disputa ferrenha, será necessário a benevolência divina que talvez possa ser conseguida com incontáveis orações.







