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terça, 18 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Para cassar Bernal, oferecimento de propinas chegava a R$ 1 milhão

Gaeco

01 outubro 2015 - 07h00Por Vinicius Squinelo

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) apontaram oferecimento de R$ 300 mil a R$ 1 milhão para vereadores de Campo Grande, como forma de “articulação” para tirar o mandato de Alcides Bernal (PP), o que realmente ocorreu em março de 2014. Não há a confirmação efetiva do recebimento de valores, porém vereador gastou quase R$ 130 mil em dois veículos logo após a queda do prefeito.


Em interceptações telefônicas, as investigações apontam que foi oferecido dinheiro para parlamentares da Capital. Veja um dos trechos da denúncia encaminhada pelo Ministério Público Estadual ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul:


"No bojo do PIC n. 02/2014-GAECO, logrou-se captar áudios que comprovam que apontam a articulação política voltada à cassação do então Prefeito de Campo Grande ALCIDES DE JESUS PERALTA BERNAL, inclusive com o pagamento de propina.


Neste norte estão os áudios de índice 2576586 e 2582347, nos quais os interlocutores MARLY DEBORAH PEREIRA DE CAMPOS, ANNY CRISTINA SILVA NASCIMENTO SALES E JEFFERSON FERREIRA VITORINO demonstram terem tido ciência de tal articulação política, bem como o oferecimento no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais),- para cada vereador que votasse favoravelmente aos interesses do grupo, o que teria totalizado o pagamento de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais)”.


Outro a falar no oferecimento de dinheiro aos vereadores foi Fabiano de Oliveira Neves, guarda municipal e motorista do prefeito afastado Gilmar Olarte. Ele, que foi espontaneamente ao Gaeco prestar depoimento, confirma que existiram propostas de propina. O assessor afirma que manteve contatos com vereadores, e confirmou oferecimento de R$ 300 mil a cada parlamentar.


Fabiano de Oliveira Neves, guara municipal e assessor direto de Olarte, reconheceu diversas reuniões na chácara, que servia como escritório político de Olarte.


Um dos que teriam oferecido as “vantagens” é Luiz Pedro Guimarães, que impetrou a denúncia que foi o pontapé inicial para o processo que cassou Bernal.


Ainda conforme as investigações, diversos encontros foram realizados para fazer as “tratativas”. No dia 11 de março de 2014, um antes da cassação de Bernal, reunião foi realizada na casa da vereadora Carla Stephanini (PMDB), com participação de outros 21 parlamentares e do ex-governador André Puccinelli, também peemedebista, e de João Amorim.


Conforme a denúncia encaminhada pelo Ministério Público ao Tribunal de Justiça, no encontro foram “seladas as vantagens políticas e/ou pecuniárias” a serem recebidas pelos parlamentares.


No pós
Ainda segundo os trabalhos do Gaeco, logo após assumir, Gilmar Olarte cumpriu os supostos compromissos, com a indicação de dois vereadores para secretarias – Edil Albuquerque e Jamal Salem – e também de diversos comissionados indicados por parlamentares.


Caso ainda mais estranho é do vereador Waldecy Batista Nunes, o Chocolate. Primeiro, no depoimento de Alcides Bernal, o prefeito (reconduzido ao cargo neste ano) garante que ouviu do próprio Chocolate a confissão de que ganhou R$ 100 mil pelo voto da cassação; o vereador nega.


Além disso, logo após a queda de Bernal, Chocolate comprou dois veículos ambos da marca Hyundai: um HB20 de valor aproximado de R$ 39 mil, no nome de sua companheira; e um Elantra, ao custo de R$ 89,7 mil, em seu próprio nome. A concessionária confirmou as compras realizadas pelo vereador, e informou que os pagamentos foram feitos à vista, em dinheiro ou depósito bancário.


Processo
O Ministério Público Estadual pede a prisão de Olarte, do empresário João Krampe Amorim e o afastamento de 17 vereadores de Campo Grande. O Top Mídia News teve acesso ao documento, assinado pelo Procurador-Geral de Justiça Humberto Brittes.


É pedido o afastamento dos parlamentares Coringa (PSD), Carla Stephanini (PMDB), Carlão (PSB), Edil Albuquerque (PMDB), Edson Shimabukuro (PTB), Eduardo Romero (PTdoB), Flávio Cesar (PTdoB), Chiquinho Teles (PSD), Gilmar da Cruz (PRB), João Rocha (PSDB), Jamal Salem (PR), Airton Saraiva (DEM), Otávio Trad (PTdoB), Paulo Siufi (PMDB), Vanderlei Cabeludo (PMDB), Delei Pinheiro (PSD) e Chocolate (PP).


A denúncia foi protocolada no dia 22 de setembro e está nas mãos do desembargador Luiz Cláudio Bonassini. Há informações de que ele já decretou as prisões, porém não confirmadas.