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Política

13/07/2015 15:07

Partido acredita na inocência de Giroto e mantém projeto para 2016, diz deputada do PR

Abalado com as polêmicas envolvendo o principal nome da legenda, o PR (Partido Republicano) deve manter seu projeto político mesmo se não puder contar com a candidatura do ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto.

Segundo a deputada estadual Grazielle Machado (PR), o partido acredita na inocência de Giroto e aguarda os desdobramentos da Operação Lama Asfáltica, mas vai seguir seu caminho de forma independente.

“Está dependendo da defesa dele. Enquanto não se provar o envolvimento real dele não tem nada decidido. Até que se prove o contrário, ele é inocente, mas nós temos um projeto e ele vai caminhar com o Giroto ou sem o Giroto”, declarou.

Apesar das mudanças de planos, Grazielle descartou disputar a prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2016, abrindo espaço para outras lideranças que possam ter interesse no pleito.

Presidência

O ex-secretário de obras assumiria a direção regional do partido na próxima reunião, marcada para 10 de agosto. No entanto, após ter a casa revistada por oficiais da Polícia Federal, Giroto precisou se desligar do Ministério dos Transportes e pode perder a presidência do PR.

De acordo com Grazielle, o assunto será discutido após Giroto retornar de Brasília, possivelmente ainda hoje (13). Enquanto isso, o ex-deputado Londres Machado continua no cargo por tempo indeterminado. Por sua vez, Londres informou que está com dificuldades em localizar o ex-secretário e, por isso, prefere não se pronunciar sobre o assunto ainda.

A reportagem também tentou entrar em contato com Giroto e com o deputado estadual e secretário-geral do PR, Paulo Corrêa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Reflexos

A operação Lava Jato, que identificou desvios de R$ 11 milhões dos cofres públicos através de licitações fraudulentas, pode atrapalhar os projetos políticos de pelo menos mais dois pré-candidatos para a prefeitura da Capital, pois as empreiteiras investigadas figuravam entre as principais doadoras de campanha do PMDB.

De malas prontas para deixar o partido, o deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) também pode ser prejudicado. O possível envolvimento do ex-prefeito Nelsinho Trad (PMDB), seu irmão, e as irregularidades identificadas nos contratos para a construção do aterro sanitário devem respingar em sua campanha eleitoral.

Investigações

A Operação Lama Asfáltica, deflagrada na última quinta-feira (9), investiga uma organização criminosa que teria fraudado diversas licitações em obras públicas de Mato Grosso do Sul. Até o momento, a polícia estima prejuízos de R$ 11 milhões aos cofres públicos sobre o montante fiscalizado, que soma R$ 45 milhões.

A ação da PF (Polícia Federal) em conjunto com a Receita Federal, a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, em residências e empresas dos investigados.

Foram vistoriadas as casas do ex-secretário municipal de administração, José Antônio de Marco, do ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto, as propriedades do empresário João Amorim e a sede da Seinfra (Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura)/ Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos).

De acordo com a Receita Federal, as investigações começaram a dois anos, quando foram detectados indícios de que importante empresário de Mato Grosso do Sul, possivelmente João Amorim, e diversas pessoas ligadas a ele corromperiam servidores públicos, fraudando licitações e desviando recursos públicos.

Dentre as ações do suposto grupo criminoso consta o direcionamento de licitações a empresários ligados à organização, os quais recebiam valores supostamente superfaturados e repassavam parte dos lucros a servidores coniventes envolvidos. Também foram identificadas vultosas doações para campanhas de políticos.

                                              

O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados em obras com indícios de serem superfaturadas identificadas durante as investigações. Além de documentos, a polícia apreendeu uma obra de arte e mais de R$ 747,9 mil, em moedas nacionais e estrangeiras. Para entender o papel de cada um dos envolvidos, leia mais aqui.

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