O médico Marcelo Vilela, anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP), nesta terça-feira (30), como novo secretário de Saúde, é – nada mais nada menos – que o titular da Sesau na gestão Marquinhos Trad (PDT). A chefe do Executivo, assim, mais uma vez se contradiz no próprio discurso, já que vinha insistentemente criticando o ex-aliado em diversas áreas, inclusive na própria Saúde, e agora chama Vilela para resolver o problema.
O chamado do ex-secretário tem forte simbolismo e ocorre quase quatro meses após a saída da então titular, Rosana Leite. É um reconhecimento que o profissional fez – ao menos – boa gestão. O detalhe é que a nomeação abala o argumento da prefeita, que põe a culpa de todos os péssimos feitos de agora na administração anterior, a de Trad.
Outra mensagem que a escolha de Vilela traz é o temor de Adriane ante uma provável CPI da Saúde. Até aliados cobravam a nomeação de um secretário. A ausência de um ordenador de despesas é um os objetos que sustentam o pedido para uma comissão parlamentar de inquérito.
Coincidência
Um terceiro ponto chama a atenção na escola do "doutor Marcelo". Ele é médico no Hospital do Câncer Alfredo Abrão, cuja presidente é Sueli Lopes Teles, irmã do deputado Lídio Lopes, que vem a ser o marido da prefeita Adriane Lopes.
Até então, a Saúde da Capital era gerida pelo Comitê Gestor da Saúde, cuja coordenadora é Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli.
Caos
A gestão Adriane está sendo marcadas pelo caos na Saúde. Faltam equipamentos em unidades de saúde, leitos em hospitais, medicamentos e profissionais insatisfeitos com os baixos salários e/ou com corte de gratificações e horas extras. A turbulência abriu espaço para um pedido de CPI, que pode trazer à tona os motivos pela gestão catastrófica na área.







