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PMCG - Prestação de contas

Planalto adia anúncio de nomeação de Imbassahy após pressão do Centrão

Temer aguarda para tentar resolver o conflito na base

9 DEZ 2016
Globo
07h33min
Foto: Agência O Globo

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), foi escolhido para assumir a Secretaria de Governo, deixada há duas semanas pelo peemedebista Geddel Vieira Lima (BA). O nome foi acertado entre o presidente Michel Temer, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como forma de incluir os tucanos, descontentes com a gestão de Temer, no núcleo político do governo. No entanto, uma ampla mobilização ao longo do dia vinda do Centrão, um dos pilares da base aliada de Temer, fez o Planalto adiar o anúncio da nomeação, inicialmente previsto para a tarde desta quinta-feira. Embora Imbassahy continue sendo apontado como o nome de Temer para o posto, o presidente preferiu aguardar para tentar resolver o conflito na base.

— A mobilização do Centrão criou uma dificuldade. Mas a tendência é essa — avalia um auxiliar presidencial.

— O presidente só não bateu o martelo. Ele pediu calma — explicou outro.

O desafio de Temer agora é tentar isolar a escolha do Secretário de Governo da eleição para a presidência da Câmara. O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), afirmou, ainda pela manhã, que a ida de Imbassahy para a vaga de Geddel seria um reforço importante na articulação política, principalmente na Câmara, onde a situação é complicada por causa de vários grupos na base governista com interesses diferentes.

— Imbassahy é um líder altamente qualificado, está saindo fresquinho da Câmara, onde a articulação é mais delicada, conduz muito bem a bancada, conhece a administração pública, o que é muito importante — disse.

À tarde, no entanto, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO) — um dos postulantes à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) —, não gostou desse movimento e disse ao GLOBO que não é hora de o governo Temer “arrumar confusão”. O petebista entende que o governo não deveria interferir no processo eleitoral da Casa.

— O que eu sei é que foi feito uma sondagem ao Imbassahy, mas não é hora de o governo fazer esse tipo de coisa. O momento é delicado, estamos numa meio de uma disputa na Casa onde os dois grupos que discutem essa questão (sucessão na Câmara) são da base do governo. Seria inconveniente uma ação que poderia parecer ingerência ou ajuda para um dos lados. O que o governo menos precisa é de confusão — disse Jovair Arantes, que, apesar de deixar claro que é contrário à noemação de Imbassahy, teceu elogios ao tucano.

— Não que eu tenha qualquer coisa contra o Imbassahy. É um excelente nome, um cara qualificado. Seria um ministro excelente. Tem uma vivência política interessante. Mas não é hora — afirmou o petebista, que é um dos próceres do chamado Centrão.

Líderes de partidos que integram o Centrão, como Jovair e Aelton Freitas (PR-MG), foram no Palácio do Planalto para se reunir com Temer e reclamar da indicação de Imbassahy. Geddel era um grande representante dos interesses do Centrão no Planalto. A leitura do grupo é que ao tornar ministro o tucano, que era pré-candidato a presidente da Câmara, o governo auxilia a reeleição de Maia, que tem acordo com o PSDB. Outro integrante do Centrão, o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), já lançou sua candidatura à sucessão de Maia, assim como Jovair Arantes.

Publicamente, Rosso adotou um tom de cautela, mas demonstrou incômodo com o fato de Temer não ter conversado com os deputados sobre a decisão de indicar Imbassahy para o seu Ministério. Questionado sobre a escolha do tucano, o parlamentar tergiversou:

— Tenho convicção que o presidente Temer, em caso de confirmar a escolha do líder Imbassay, um dos melhores parlamentares da Câmara, vai informar toda a base da sua decisão e da importância da união da base nesse momento de início de tramitação da reforma de previdência.

Paralelamente à disputa pela presidência da Câmara, o Centrão tinha a expectativa de indicar o ministro da Secretaria de Governo e chegou a sugerir o nome do próprio Jovair. Para tentar evitar um racha em sua base, o governo busca construir uma solução para acomodar os aliados. Dentre elas, está colocar Rosso ou Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) na liderança do governo na Câmara, no ano que vem, vaga atualmente por André Moura (PSC-SE). Mas o Centrão deseja mais espaços. O grupo era a base de sustentação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e vem perdendo espaços desde que este foi afastado da Câmara.

À noite, após o recuo do governo, o secretário-geral do PSDB, Silvio Torres (SP), que pela manhã dizia ter sido informado que a nomeação sairia ainda nesta quinta, reclamava:

— Como conseguem fazer tanta confusão?

OPOSIÇÃO ATACA PSDB

Senadores da oposição discursaram no plenário do Senado acusando o PSDB de estar articulando “um golpe dentro do golpe” para tomar o comando da economia do governo Michel Temer , derrubar o presidente e eleger indiretamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um mandato tampão até 2018. O primeiro passo seria a indicação do deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA) para chefiar uma nova secretaria, na vaga do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Segundo o líder do PT, Humberto Costa (PT-PE) , a estratégia é desestabilizar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e “tomar de assalto” os ministérios da Fazenda e do Planejamento.

— Esse presidente irrelevante sabe que não termina o governo e cede o que pode para se manter no cargo. Os tucanos tomam de assalto o Ministério da Fazenda e colocam lá alguém para despistar colocam lá alguém para colaborar. Esse nome seria de Armínio Fraga. É assim que os tucanos sabem fazer política, ameaçando e extorquindo esse débil presidente para chegar a presidência no tapetão. É o golpe dentro do golpe. Derrubam esse presidente aparvalhado e elegem FHC para o mandato tampão — discursou Humberto Costa.

 Na mesma linha a senadora Lídice da Mata, da ala oposicionista do PSB e conterrânea de Imbassahy, disse que Temer virou refém do PSDB.

— O PSDB vai tomar o comando da economia e o comando desse governo enquanto ele existir. Será um preço muito maior que o PMDB vai pagar quando aderiu ao golpe que vitimou a presidenta Dilma Rousseff — discursou Lídice da Mata.

  

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