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domingo, 23 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

PMDB virou adversário de Bernal por projetos de Nelsinho, diz Edil

25 setembro 2015 - 14h30Por Rodson Willyams

O vereador Edil Albuquerque, do PMDB, disse durante depoimento ao promotor do Gaeco, Marcos Alex Vera de Oliveira, obtido com exclusividade pelo Top Mídia News, que tanto ele quanto o PMDB, se tornaram 'adversários' do atual prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, do PP, após o Chefe do Executivo, travar alguns projetos fechados ao final da gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho (PTB).

Na época, Nelsinho era peemedebista e tinha deixado iniciativas tramitando na Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia e Agronegócio).

Ao promotor, o político afirmou que assim que Alcides Bernal assumiu o comando da prefeitura, ele chegou até ser cotado para reassumir a Sedesc, secretaria que comandava na gestão de Nelsinho, mas que a proposta não foi levada adiante pelo prefeito pepista.

Ainda assim, Edil revelou ao promotor que procurou Bernal para conversar sobre alguns projetos que seriam importantes para a Capital e que estavam travados na Sedesc. "Apesar das diferenças partidárias, o depoente procurou Alcides Bernal para lhe propor que desse andamento em determinados projetos que tinha como importantes para o município", conforme consta no depoimento.

Um dos projetos considerados 'importantes' pelo político seria com o Grupo Educacional Uniter, do ramo de informática, que teria interesse em se instalar na Capital, para fabricar tablets. "Ele examinou com lupa' todos os contratos deixados pelo depoente, para verificar sua lisura. Jamais tive qualquer problema de ordem pessoal com Alcides Bernal", declarou.

Diante da negativa, o político ainda revelou a Marcos Alex que 'Bernal praticamente não encaminhou projetos de Lei à Câmara, de modo que, apesar de não integrar sua base na Câmara, não chegou a se opor a ele naquela Casa'. Em dado momento do depoimento, o parlamentar também revela que, "o PMDB e o depoente foram adversários de Alcides Bernal".

Logo após o prefeito ter sido cassado pelos vereadores, e Gilmar Olarte ter assumido o comando da prefeitura, o vereador explicou ao promotor como foi nomeado para comandar novamente a Sedesc. "Gilmar Olarte tinha conhecimento de sua intenção de voltar a comandar a Sedesc. Não sabe dizer quando veio o convite de Gilmar Olarte para que assumisse a pasta, talvez no decorrer da posse dele ou um pouco depois.[...] Foi uma escolha pessoal do prefeito Gilmar Olarte".

Assim que o parlamentar assumiu o comando da pasta conseguiu destravar os projetos. "Uma semana depois [de ter assumido], houve o relançamento da construção da fábrica de tablets do Uniter. Conseguiu destravar esse projeto por meio de um intenso trabalho de convencimento. Trabalhou para destravar outros projetos também, mas não pode apontá-los neste momento, pois não se recorda".

A Sedesc é uma das pastas mais importantes da administração municipal e, além disso, ela não depende de recursos vindo do Tesouro para desenvolver seus projetos, a não ser quanto à folha de pagamento. A secretaria dispõe de recursos de convênios. Ao final Edil ainda diz: "Não houve acerto partidário para que o depoente assumisse a Sedesc" e que PMDB se manteve neutro na administração.

O vereador ainda revelou que só saiu do comando da pasta porque o Olarte teria pedido a ele que precisava 'destravar' "110 projetos que estavam travados na Casa de Leis e precisava de um líder".

Sobre a votação

Edil também comentou sobre como votou no dia da cassação do prefeito Alcides Bernal e sobre a sua postura como presidente da Comissão Processante que foi criada pela cassar os direitos políticos de Bernal.

Segundo ele, enquanto presidente da comissão, sempre adotou todas as cautelas para que o seu trabalho fosse isento. "Só expôs publicamente a sua posição pela cassação do mandato em plenário, no momento do voto. Votou pela cassação, diante do teor do relatório elaborado pela comissão processante".

Sobre o cargo

O promotor ainda questionou sobre uma lista de 31 nomes para nomeação de cargos públicos que teriam sido indicados pelo vereador e flagradas na operação, por meio de uma mensagem de celular.

No depoimento, o vereador "não soube explicar a mensagem enviada para uma linha telefônica de que havia uma relação de 31 nomes indicados pelo depoente para ocupar cargos na administração municipal". Ao fim, o parlamentar apenas confirmou a indicação de quatro a cinco pessoas para formar um grupo de trabalho.