Um Projeto de Lei encaminhado recentemente pela Prefeitura de Campo Grande à Câmara Municipal gerou forte mobilização e revolta entre os servidores administrativos da Educação.
O ponto de maior controvérsia entre o executivo e os servidores é a tentativa de taxar os profissionais sobre o valor do profuncionário, transformando a gratificação em adicional de função, o que permitiria a incorporação desse valor na aposentadoria dos servidores.
Porém, o que deveria ser uma medida de valorização tem sido amplamente criticada pelos trabalhadores, que apontam a inviabilidade da proposta diante da realidade salarial atual: a maioria absoluta dos servidores recebe menos que um salário mínimo.
Em documento protocolado junto aos vereadores, os servidores pedem o veto ao projeto, justificando que não se opõem à contribuição previdenciária, mas que ela é injusta no atual cenário, em que o salário base médio dos administrativos gira em torno de R$ 950, valor bem abaixo do salário mínimo nacional de R$ 1.518.
“No fim do documento, anexamos 11 holerites para comprovar a situação calamitosa. O último é de uma servidora que está para se aposentar, vivendo com salário base de fome”, relata um ex-servidor ao TopMídiaNews. Ele pediu exoneração no início do ano por não suportar a perseguição e os baixos vencimentos.
Mesmo integrantes da base da prefeita Adriane Lopes, como o vereador Professor Juari, demonstraram desconforto com o projeto. “É um projeto tão absurdo que gregos e troianos não concordam. Por que essa pressa toda? Por que essa pressão? É isso que os servidores querem saber”, destacou o denunciante. A vereadora Luiza Ribeiro também teria feito duras críticas à proposta.
O presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), Marcos Tabosa, é apontado como um dos principais articuladores da proposta. Em áudios vazados, ele chega a chamar servidores que se opõem à taxação de “porcarias”, “tranqueiras” e “gente que não vale nada”.
Em outro trecho, ele afirma que os trabalhadores estão “desprovidos de inteligência” por defenderem que o salário base deve alcançar o piso nacional.
Além disso, servidores denunciam que Tabosa estaria atuando diretamente nas assembleias do SISEM (Sindicato dos Servidores Municipais), mesmo sem ser membro do sindicato, e acusam o atual presidente do sindicato, William de Freitas, de manipulação ao apresentar a taxação como “investimento”, suavizando o impacto da medida.
Outro ponto levantado pelos trabalhadores diz respeito à lisura da última eleição do SISEM. Há questionamentos sobre a legalidade e a transparência do processo, com apelos públicos para que o Ministério Público investigue possíveis irregularidades e conflito de interesses entre a gestão do sindicato e o IMPCG.
Servidores pedem debate honesto e valorização real
Em um dos áudios divulgados, um servidor resume a insatisfação da categoria: “Ninguém aqui é contra aposentadoria digna. O que somos contra é ser taxado agora, com salário congelado, sem valorização e apostando num futuro incerto. Estamos sendo chamados de burros, analfabetos, quando na verdade só queremos um debate honesto. Não dá para pagar a conta hoje apostando que vamos estar vivos daqui a 30 anos.”
O ex-servidor que está denunciando o caso reforça que a luta é por justiça. “A Prefeitura diz que está tudo dentro da lei. Mas quer dizer que, se está na lei, você pode ser miserável, e está tudo bem? Isso não é valorização. Isso é crueldade.”
Próximos passos
A audiência pública marcada para o dia 17 de outubro, na Câmara Municipal, reuniu dezenas de servidores e foi palco de intensas discussões. O projeto ainda não foi votado, mas segue em tramitação.
Enquanto isso, o clima segue tenso. Servidores seguem organizados, exigindo que qualquer proposta de taxação venha acompanhada de uma recomposição salarial e respeito à dignidade da categoria.
“Não somos contra contribuir. Mas queremos condições mínimas para isso. Não dá para tirar de quem já não tem”, finalizou o ex-servidor.
O TopMídiaNews entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande, o IMPCG e o SISEM para falar a respeito do caso. No entanto, até a publicação desta matéria não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.







