Trabalhando em postos de saúde precários e sem materiais, sujeitos a reclamações bem fundadas dos pacientes, profissionais estão deixando a Saúde pública em Campo Grande.
Publicações no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta terça-feira (10) mostram uma série de decretos de demissão que atingem em cheio a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Em um único dia, foram exonerados três médicos, um fisioterapeuta, uma enfermeira e uma odontóloga por "abandono de cargo".
A demissão é automática quando servidores públicos faltam ao serviço por mais de 30 dias consecutivos. O que o Executivo chama de "abandono" é, na visão de quem está na ponta, uma "desistência forçada".
Com salários defasados há anos e sem reajuste real, médicos e enfermeiros enfrentam uma rotina de guerra: falta de medicamentos básicos, insegurança nas unidades e sobrecarga de trabalho. O cenário de terra arrasada tem levado muitos a pedir exoneração ou simplesmente deixar de ir, preferindo perder o vínculo estável a continuar em um sistema colapsado.
A demissão em bloco serve, na prática, para a prefeitura "limpar a folha" sem admitir a incapacidade de reter talentos. Enquanto demite técnicos por falta, a gestão nomeia comissionados políticos, como os novos assessores governamentais lotados na mesma edição do diário.








