A Prefeitura de Campo Grande afirma estar rigorosamente em dia com os repasses ao consórcio responsável pelo transporte coletivo, mas evita responder a principal pergunta que segue sem resposta no debate público: qual o tamanho real da dívida do sistema?
Em coletiva realizada sobre a paralisação dos ônibus, a prefeita Adriane Lopes (PP) repetiu diversas vezes que o município cumpriu todas as suas obrigações contratuais. Segundo ela, os valores referentes às gratuidades, ao vale-transporte dos servidores e aos repasses previstos em contrato foram pagos regularmente, inclusive com antecipações.
A administração municipal divulgou uma tabela de repasses efetuados ao consórcio. O documento mostra pagamentos feitos mês a mês, mas não apresenta o valor total necessário para manter o sistema funcionando nem o custo real da operação atual.
A prefeita atribui a crise à má gestão da empresa e questiona publicamente para onde estaria indo o dinheiro pago pela população. No entanto, a Prefeitura não apresenta números consolidados sobre o fluxo financeiro do sistema, o déficit mensal acumulado ou o passivo total do transporte coletivo em Campo Grande.
Sem transparência sobre o tamanho real da dívida, a prefeitura mostra um papel genérico, elaborado em tabela simples, sem entregar recibos e comprovantes dos repasses.
Consórcio
Por outro lado, o Consórcio Guaicurus destaca que falta dinheiro para honrar compromissos básicos, como o pagamento do décimo terceiro salário dos motoristas.
Nesta quarta-feira (17), a comunicação do Consórcio usou a mesma planilha de pagamentos exibida pela prefeitura e destacou os detalhes que foram propositalmente omitidos no discurso.
Consórcio rebate planilha da prefeitura (Reprodução Instagram)
A reflexão é que o repasse de R$ 6.735.303,18, anunciado pela prefeitura como quitado, tinha vencimento em 9 de dezembro. O Consórcio esclareceu que a não quitação desse valor na dada estipulada é que provocou atraso no salário dos colaboradores.
''Caso o repasse tivesse sido efetuado conforme consta na planilha oficial da Prefeitura, a folha de pagamento estaria devidamente quitada'', diz trecho da resposta.
Em outro ponto, as empresas de ônibus destacam que a dívida assumida em comunicações oficiais corresponde apenas a uma parcela visível de passivo financeiro mais amplo, acumulado ao longo do tempo, e ignora questionamentos judiciais dos valores da tarifa, das gratuidades e outras questões.







