Além do contrato de quase R$ 20 milhões com a empresa Gomes & Azevedo LTDA, investigada por fraude em licitações no âmbito da Operação Spotless do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a prefeitura mantém outros dois contratos ativos que somados ultrapassam os R$ 9 milhões.
Conforme o apurado pela reportagem no Portal da Transparência, após a paralisação do acordo firmado entre o Consórcio Público Central-MS e a empresa, Campo Grande mantém outros trabalhos com a empreiteira.
O maior deles, de R$ 8.985.000,00, é para pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais no Bairro Nova Grande, equivalente à etapa H, que atinge a Vila Romana. O contrato foi firmado dia 19 de agosto de 2024, com prazo de execução de 1 ano.
O outro, de menor volume, está fixado na casa dos R$ 229.999,02. A empresa ficou responsável de realizar a recuperação da Quadra de Esportes da Praça Coophasul, assinado em dezembro de 2025. Eles têm 120 dias para finalizar os trabalhos no local.
Essa é a mesma quadra que no começo do ano recebeu faixas agradecendo a prefeita Adriane Lopes (PP) e o vereador Maicon Nogueira (PP) pelas obras há 9 dias. A ação gerou indignação nos moradores do bairro, já que o local permanecia do mesmo jeito, com grades deterioradas, piso ruim e sem qualquer marcação da quadra.
Investigação
A Gomes & Azevedo LTDA é investigada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no âmbito da Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pela Procuradoria-Geral de Justiça. A operação teve como foco o combate à corrupção e o desmantelamento de uma organização criminosa instalada principalmente no município de Terenos, com ramificações em Campo Grande.
De acordo com o MPMS, a investigação identificou um esquema estruturado para fraudar licitações públicas, com a participação de agentes políticos, servidores públicos e empresários. O grupo atuava direcionando editais, simulando concorrência e garantindo contratos a empresas previamente escolhidas. Em contrapartida, haveria pagamento de propina e falsos atestados de recebimento de produtos e serviços, além da aceleração irregular de pagamentos.
A Operação Spotless cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. As apurações apontam que apenas no último ano os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 15 milhões. Parte das provas utilizadas pelo MP teve origem em materiais apreendidos em outra investigação, a Operação Velatus, incluindo conteúdos extraídos de telefones celulares, compartilhados mediante autorização judicial.







