A Prefeitura de Campo Grande paralisou um contrato de quase R$ 20 milhões firmado com a empresa Gomes & Azevedo LTDA para a execução de obras padronizadas de construção de praças no município. O grande detalhe, é que a paralisação foi firmada quase dois meses depois da empresa ser um dos alvos da operação Stopless.
A ordem de paralisação foi formalizada no dia 30 de outubro de 2025 pela Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e passou a valer a partir de 1º de novembro do mesmo ano.
O contrato, de nº 221/2024, havia sido assinado em 28 de junho de 2024 e previa a contratação da empresa para atender demandas de municípios que integram o Consórcio Público Central-MS, constituído pelos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Terenos, Jaraguari e Dois Irmãos do Buriti, com execução de obras sob demanda. O valor da contratação é de R$ 19.716.591,24, com recursos oriundos de diferentes convênios e emendas parlamentares.
A Gomes & Azevedo LTDA também aparece no radar das investigações do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no âmbito da Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pela Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio do GAECO e do GECOC. A operação teve como foco o combate à corrupção e o desmantelamento de uma organização criminosa instalada principalmente no município de Terenos, com ramificações em Campo Grande.
De acordo com o MPMS, a investigação identificou um esquema estruturado para fraudar licitações públicas, com a participação de agentes políticos, servidores públicos e empresários. O grupo atuava direcionando editais, simulando concorrência e garantindo contratos a empresas previamente escolhidas. Em contrapartida, haveria pagamento de propina e falsos atestados de recebimento de produtos e serviços, além da aceleração irregular de pagamentos.
A Operação Spotless cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. As apurações apontam que apenas no último ano os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 15 milhões. Parte das provas utilizadas pelo MP teve origem em materiais apreendidos em outra investigação, a Operação Velatus, incluindo conteúdos extraídos de telefones celulares, compartilhados mediante autorização judicial.
A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o assunto, mas tté o momento, não teve respostas detalhando os motivos específicos que levaram à paralisação do contrato nem informou se haverá rescisão definitiva ou adoção de novas medidas administrativas.







