A decisão da prefeitura de Campo Grande de transferir o Ensino Médio da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo para a responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SED) a partir de 2026 tem causado revolta entre pais, alunos, professores e moradores da região.
A medida, anunciada unilateralmente pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED), teria sido tomada sem ouvir a comunidade escolar, gerando críticas por supostamente prejudicar a qualidade do ensino e desconsiderar a realidade local.
Segundo os denunciantes que procuraram o TopMídiaNews, atualmente os alunos do 3º ano do Ensino Médio saem formados como Técnicos em Agropecuária, com uma carga horária equilibrada entre teoria e prática, que inclui atividades diárias na área rural. Com a mudança, o currículo estadual prevê apenas aulas teóricas, e os alunos terão que passar por uma prova para, só então, realizarem um estágio obrigatório, que pode durar até seis meses.
Para muitos, isso será um problema, já que grande parte dos estudantes são filhos de pequenos proprietários rurais ou funcionários de fazendas distantes, sem condições para realizar o estágio longe de casa ou sem suporte governamental.
A troca na gestão também preocupa os professores efetivos do município que atuam na escola. Já que com a transferência do ensino médio para o Estado, terão que deixar suas funções e o ensino será assumido por profissionais contratados via processo seletivo estadual. "Muitos são mestres, doutores e especialistas, com formação técnica sólida. Essa mudança representa uma perda na qualidade do ensino, pois quem vai assumir são professores com formação inferior, contratados por salários menores", afirmou a testemunha ao comentar sobre a qualidade do ensino.
Os pais, que só ficaram sabendo da mudança por meio da imprensa, demonstram insatisfação. Uma mãe que acompanha o caso criticou a falta de diálogo: "Fomos informados por uma matéria jornalística, não houve consulta nem diálogo com a gente. A escola é um patrimônio da comunidade, e a gente não aceita esse retrocesso. A demora no estágio, a distância e a precarização do ensino vão prejudicar nossos filhos".
A comunidade pretende se reunir para uma manifestação na SEMED, marcada para esta quinta-feira (23), às 13h, na tentativa de reverter a decisão. Segundo representantes, a mudança é vista como uma medida política que ignora as necessidades locais e o impacto direto na formação dos alunos.
A prefeitura, por meio da SEMED, esclareceu que a transferência do ensino médio para a responsabilidade do Estado está em conformidade com a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que definem as competências de cada ente federativo na oferta da educação. Confira na íntegra:
“A Semed informa que a partir do ano letivo de 2026, o ensino médio da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo passará à responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SED). A mudança ocorre em conformidade com a Constituição Federal e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que definem as competências de cada ente federativo na oferta da educação.”







